Candidatos miram classe C e maiores colégios eleitorais

Economia e leis trabalhistas devem dominar debate nos últimos dias da campanha presidencial

iG Minas Gerais | Denise Motta |

As campanhas presidenciais focam toda sua munição nesta reta final para conquistar a classe média, perfil do eleitorado que está mais dividido, conforme indicou pesquisa DataFolha. Enquanto os mais pobres escolhem Dilma Rousseff(PT), os mais ricos estão com Marina Silva (PSB) e, em menor proporção, com Aécio Neves (PSDB).  

Na avaliação do cientista político Antônio Lavareda, o quadro eleitoral caminha para um segundo turno entre Marina e Dilma, mas uma reviravolta não pode ser descartada. “Marina está em leve trajetória de queda. Se essa trajetória adquirir angulação mais forte nos próximos dias, podemos ter uma surpresa”, pondera Lavareda.

A temática econômica será o elemento principal abordado pelas campanhas nos próximos dias, segundo os aliados dos candidatos.

Aécio tentará converter em votos sua articulação em discursos na TV, apresentando-se como uma alternativa de mudança segura e com quadros experientes e de credibilidade para compor um eventual governo.

“O grande trunfo do Aécio é seu bom desempenho nos debates e seu programa de governo, que será apresentado nesta segunda”, aposta coordenador de campanha do tucano, senador Agripino Maia (DEM).

Propostas para a nova classe média, que ascendeu nos últimos anos, serão abordadas, revelou senador Agripino Maia. “A grande massa de eleitores não está com voto definido ou tem o voto anunciado e não cristalizado”, destaca o aliado de Aécio.

A campanha de Dilma Rousseff considera várias hipóteses. Alguns interlocutores da presidente avaliam inclusive a possibilidade, ainda que remota, de a eleição ser liquidada ainda no primeiro turno. Nestes últimos dias de campanha, a petista pega firme na questão das conquistas das leis trabalhistas e na baixa taxa de desemprego, focando também na classe C.

A chance de o PT vencer com Fernando Pimentel em Minas é positiva para a campanha à reeleição de Dilma. “Chegamos naquele período em que a maioria da população começa a refletir com mais profundidade sobre o futuro do Estado e do país. Estamos conscientes de que a vitória de Fernando Pimentel em Minas Gerais será fundamental para fortalecer ainda mais a candidatura de Dilma Rousseff num eventual segundo turno. Nossa orientação é para cerrarmos fileira com Pimentel para alcançarmos sua eleição ainda no primeiro turno”, diz um dos coordenadores da campanha petista, Walfrido dos Mares Guia.

O coordenador da campanha de Marina Silva, Walter Feldman (PSB), lamenta os ataques na reta final e indica que a candidata irá explorar propostas mais concretas referentes à política econômica e leis trabalhistas.

“Particularmente a classe C está preocupada com perdas de conquistas do passado. Estamos preocupados com o baixo nível. Não é justo, pelo tempo de televisão, saímos (com a candidatura) há 40 dias. O ataque é desproporcional. Como diz a própria Marina, é luta de Davi contra Golias”, diz Feldman.

Desafio

Improvável. “Aécio precisa ganhar mais de 1 milhão de votos por dia até a eleição. Não reverte, a não ser que aconteça um fato novo”, avalia o cientista político Márcio Chalegre Coimbra.

Eleições no Brasil registram viradas históricas Fernando Henrique Cardoso chegou a posar para foto sentado na cadeira de prefeito de São Paulo, em 1985. Perdeu a disputa para Jânio Quadros por uma diferença de pouco mais de 140 mil votos. Casos de viradas históricas nas eleição não são raros. Disputando o governo de Minas pela primeira vez, Hélio Costa perdeu por 1% para Hélio Garcia. Quatro anos depois, disputou novamente, desta vez contra Eduardo Azeredo. Ficou na liderança no primeiro turno, mas perdeu no segundo. Em 1998, Antônio Britto era favorito na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul. Ganhou no primeiro turno e perdeu no segundo por diferença de pouco mais de 85 mil votos No mesmo ano, Mario Covas derrotou Maluf no segundo turno, em São Paulo, revertendo a vantagem do adversário que venceu na primeira fase de votação. Luiz Paulo Conde obteve 34% contra 23% de seu adversário César Maia nas eleições para prefeito do Rio de Janeiro no ano 2000, no primeiro turno. No segundo, Maia venceu por 51%. A derrota de José Serra na última eleição municipal em São Paulo é outro exemplo. Fernando Haddad não chegava sequer a dois dígitos no início da campanha e venceu no segundo turno. (DM)

Eleitorado Minas é o segundo maior colégio eleitoral do Brasil, com 15,2 milhões de eleitores, 10,5% do total. São Paulo lidera, com 32 milhões de eleitores, 22,5% do total. Rio de Janeiro está em terceiro colocado, com 12 milhões, cerca de 8,5%. Os três juntos representam quase 60 milhões de votos, mais de 40% do total.

Escolaridade Conforme dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a maior parte do eleitorado tem ensino fundamental incompleto, cerca de 43 milhões de pessoas, 30% do total de 140 milhões de eleitores brasileiros. Quanto à faixa de renda, 42% dos eleitores ganham até R$ 1.400. Isso explica o foco das campanhas presidenciais na classe C.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave