Polícia usa rede social para achar suspeitos de arrastão no Hopi Hari

Intuito da investigação é utilizar imagens postadas na internet para comparar com as das câmeras de segurança do parque

iG Minas Gerais | DA REDAÇÃO |

Polícia usa rede social para achar suspeitos de arrastão no Hopi Hari
BERNARDO COELHO/FRAME/AE
Polícia usa rede social para achar suspeitos de arrastão no Hopi Hari

A Polícia Civil de Vinhedo, a 79 km de São Paulo, vai usar as redes sociais para tentar identificar suspeitos de praticar um arrastão no parque Hopi Hari, na tarde de quarta-feira (25). A hipótese da polícia é que o grupo seja da periferia de Campinas, a 93 km de São Paulo.

O intuito é utilizar imagens das redes sociais para comparar com as das câmeras de segurança do parque. Após a identificação dos suspeitos, a polícia deve convocar vítimas para fazer o reconhecimento.

A investigação, no entanto, tem dois entraves: o chefe de segurança do Hopi Hari, que prestou depoimento nesta quinta (25), disse que as câmeras não filmaram o tumulto e apenas um boletim de ocorrência foi registrado até o momento.

"O problema não é identificar os suspeitos, é a vítima fazer o reconhecimento", diz José Carlos de Moraes, chefe de investigação da Polícia Civil de Vinhedo. "As vítimas voltam para suas respectivas cidades e não registram boletim de ocorrência. Mas elas podem fazer isso pela internet ou na delegacia mais próxima", orienta.

Moraes espera que o Hopi Hari envie nesta sexta (26) as imagens do circuito de segurança, a relação de seguranças que trabalhavam no local e das vítimas que registraram ocorrência dentro do parque. Em depoimento, o chefe de segurança do Hopi Hari disse que o número de seguranças era suficiente, mas, quando eles tentavam intervir no tumulto, o grupo se dispersava e se reunia em outro local.

O parque disse nesta quarta, em nota, ter sido "surpreendido por uma situação atípica e pontual, em que um grupo de baderneiros veio com o único e exclusivo propósito de causar perturbações aos visitantes".

O parque afirmou também que "seu efetivo de segurança é dimensionado de acordo com sua previsão de público" e que não recebeu público acima da média, mas não divulgou essas informações alegando "questão de segurança".

'Roubando tudo' Visitantes que presenciaram o arrastão contestam a informação do Hopi Hari e afirmam que havia pouca segurança no parque.

Um rapaz de 17 anos diz que o local estava "superlotado" e que não foi revistado antes de entrar. "A gente não via segurança nenhuma no parque, se tinha quatro ou cinco era muito", afirma.

"[O grupo] subia arrastando tudo, quebrando e roubando tudo o que você imaginar. Era como se fosse uma rebelião, todo mundo entrou em desespero, teve até funcionário agredido."

O Procon-SP notificou o Hopi Hari para prestar esclarecimentos sobre o arrastão em até sete dias. Apenas um jovem foi identificado até o momento. Ele negou à polícia e ao Ministério Público ter cometido o crime, mas foi reconhecido pela vítima, um rapaz de 16 anos de Diadema, e uma testemunha. O suspeito tem 17 anos e permanece detido.

Ele terá nova audiência na Vara da Infância e Juventude nesta sexta. A Promotoria vai pedir a internação provisória do rapaz, por 45 dias, e fazê-lo responder por ato infracional análogo a roubo e associação criminosa.

A reportagem esteve no Hopi Hari nesta quinta-feira e conversou com visitantes e funcionários. "Muito cuidado com o celular", disse uma adolescente às amigas enquanto subiam uma escada próxima ao local do tumulto do dia anterior.

"Minha mãe quase não me deixou vir hoje porque viu o arrastão na TV", disse uma criança, ao passar com colegas pelo carrinho bate-bate.

O público de nesta quinta era formado na maioria por crianças entre 10 e 15 anos. "Fiquei com medo de ontem e reparei que não tem câmeras aqui", disse Ricardo Santana, 33, professor de biologia e monitor de uma turma do Colégio Correção de Maria, de Guarulhos.

"Recomendei aos meus alunos que entregassem o celular caso fossem assaltados, que não reagissem. Teve um aluno que não veio porque a mãe não deixou."

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