Treino para falar com a imprensa

Candidatos passam por “curso” para aprender a dar entrevista e se postar melhor diante das câmeras

iG Minas Gerais | Denise Motta |

Debates, entrevistas e gravações de programas eleitorais fazem parte da rotina dos candidatos a cargos majoritários. Lidar com a imprensa e ter um discurso de impacto sobre o eleitorado não é tarefa fácil. Na tentativa de evitar erros, candidatos passam por uma maratona de treinamentos de mídia, conhecida como “media training”. Mas de nada vale o ensaio para o espetáculo da eleição se não existir uma mudança interna, destaca a especialista em media training Áurea Regina de Sá. “O discurso é o forte do treinamento. A comunicação precisa ser algo original”.

Enquanto Marina Silva (PSB) precisa inserir palavras mais simples no seu discurso e ser mais objetiva, Dilma Rousseff (PT) deve trabalhar melhor sua tensão, evidente em expressões faciais. Já Aécio Neves (PSDB) é bem-avaliado pela especialista, mas sua boa apresentação pode causar certo estranhamento.

“Marina precisa levar o discurso dela para o chão da fábrica. Ela precisa perceber o grau de escolaridade do brasileiro e levar uma mensagem que seja entendida corretamente”, pondera Áurea.

Autor do livro “Quem não comunica não lidera”, Reinaldo Passadori diz que “assertividade” é palavra mágica na comunicação em público. Ou seja, expressar-se de maneira clara, direta e honesta. Para ele, a candidata do PSB está bem assessorada nesse sentido. “Marina está se policiando mais, pensa mais antes de falar, fazendo pausas”, completa o consultor político Carlos Manhanelli.

Já a candidata petista à presidência precisa de mais leveza para quebrar o semblante fechado ao lidar com a mídia. A expressão facial dela acaba sendo associada a mau humor. “Falta a ela (a Dilma) objetividade e aprendizado do improviso”, analisa a especialista Áurea Regina de Sá. “A expressão de Dilma é muito clara, indicando que ela pode explodir a qualquer momento”, confirma Manhanelli.

A comunicação é encarada como elemento importante na política, mas não é garantia de votos. Em terceiro lugar nas pesquisas, o tucano Aécio teve escola com o discurso conciliador de seu avô, Tancredo Neves, desde quando era ainda jovem. “Por ser, digamos, bem nascido, ele (Aécio) pode causar algum tipo de aversão, mas o modelo de comunicação dele fez com que ele entendesse bem a questão da oratória”, afirma a especialista em media training.

Coordenador do curso de marketing político e eleitoral da UNA, Manoel de Oliveira ressalta que, em tempos de smartphones, o comportamento do candidato deve ser pensado a todo momento, não apenas diante das câmeras.

“Ele precisa ter cuidado com sua imagem em qualquer situação. Os candidatos à Presidência, especialmente, estão muito expostos”, analisa.

Ainda que trabalhem duro para melhoria dos discursos, há muito a ser feito, na avaliação de Manhanelli, pois tanto Aécio quanto Dilma e Marina estão muito “engessados”.

Boa vizinhança

Atrasado. Com fama de não cumprir horários, Aécio, quando governador de Minas, costumava até preparar um lanche para a imprensa, que chegava a esperar horas por ele na sede do governo.

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