Governo amplia cursos de medicina, e MG ganha quatro

Ao todo, 39 municípios brasileiros terão a graduação; a expectativa é criar novas 2.000 vagas

iG Minas Gerais | Johnatan Castro |

Cobertura. Minas tem 1.235 profissionais do programa Mais Médicos, espalhados em 463 cidades
Alina Souza/Especial Palácio Piratini - 3.9.2014
Cobertura. Minas tem 1.235 profissionais do programa Mais Médicos, espalhados em 463 cidades

Depois de suprir 100% da demanda apresentada pelos municípios que aderiram ao programa Mais Médicos, o governo federal anunciou nesta quinta uma nova etapa do projeto. Quatro novos cursos de medicina foram autorizados para cidades mineiras e outros 35, para o resto do país, com o objetivo de ampliar a oferta de vagas e o número de doutores no mercado. Durante evento em Brasília com os ministros da Educação, Henrique Paim, e da Saúde, Arthur Chioro, uma pesquisa feita pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) também foi divulgada e mostrou que 95% dos usuários do Sistema Único de Saúde (SUS) estão satisfeitos com o programa.  

Em Minas, Contagem, Sete Lagoas, Poços de Caldas e Passos foram as cidades escolhidas para receberem as graduações. Todas têm mais de 70 mil habitantes e ainda não têm esse curso superior. Elas foram escolhidas por oferecem uma boa estrutura na rede de saúde local e pela capacidade de abrir residência médica para estudantes. Pelo menos 2.000 novas vagas deverão ser ofertadas nos 39 municípios beneficiados em todo o Brasil. Críticos do Mais Médicos, representantes de entidades de classe afirmam que a ampliação dos cursos deve vir acompanhada de um maior controle da qualidade de ensino.

Segundo o Ministério da Saúde, as universidades particulares que assumirão os cursos serão escolhidas por meio de licitação. Entretanto, o lançamento do edital da concorrência e o início das graduações ainda não têm data para acontecer.

Diretora da Associação Médica de Minas Gerais (AMMG), Maria Aparecida Braga diz que, sozinha, a ampliação dos cursos não conseguirá resolver a má distribuição de profissionais. Ela destaca a necessidade de um plano de carreira para incentivar os médicos a permanecerem no interior e não somente nos grandes centros. “É preciso dar condições para o profissional. Só colocar o médico no mercado não vai resolver o problema”, informou, ressaltando a importância de o governo federal e de entidades como a AMMG e os Conselhos Regionais de Medicina (CRM) fazerem o controle mais rígido da qualidade do ensino.

Outras sete cidades do Estado beneficiadas anteriormente terão prazo de seis meses para fazer adequações recomendadas para a rede pública de saúde e, assim, receber as habilitações, como Muriaé, na Zona da Mata.

Saiba mais

CRM. Procurada na tarde desta quinta, a assessoria do Conselho Regional de Medicina de Minas Gerais (CRM-MG) não se posicionou sobre os novos cursos de medicina nem sobre a pesquisa feita pela UFMG.

Balanço. Segundo o Ministério da Saúde, 14.462 médicos do programa atendem 3.785 municípios brasileiros e 34 distritos indígenas. São 1.235 profissionais em 463 municípios mineiros. Cerca de 50 milhões de pessoas são atendidas pelo projeto. Meta.  O governo federal planeja criar, até 2017, 11,5 mil novas vagas de graduação em medicina e 12,4 mil de residência médica, com o foco na atenção básica e outras áreas prioritárias para o SUS.

Vagas

Oferta. Segundo o Ministério da Educação, existem 21.757 vagas autorizadas para cursos de medicina no país, 3.250 delas em Minas. O órgão não informou o número de instituições com o curso.

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