Movimentos vão às ruas sem consenso nas reivindicações

Grupos que prometem reunir 10 mil pessoas em BH divergem sobre pautas contra o governo federal

iG Minas Gerais | Tâmara Teixeira |

Editoria de arte
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Quem acompanhar neste domingo os protestos que prometem ocupar o país pode até imaginar que os grupos estão unidos a partir de um pensamento comum, de serem oposição à gestão da presidente Dilma Rousseff (PT). Mas um olhar mais atento nas faixas e nos discursos poderá revelar a diferença no objetivo final. Enquanto, de um lado, há movimentos com posturas mais radicais, que pedem uma intervenção militar, há lideranças que defendem um Estado liberal, com espaço reduzido nas políticas públicas e econômicas. Nem mesmo o impeachment da presidente, cogitado por boa parte de quem vai para a rua neste domingo, é reivindicação comum. Os grupos só entram em consenso quando o assunto é o fim da corrupção e da impunidade em relação às fraudes que lesam a população. O Movimento Brasil Livre (MBL) defende o impeachment da petista, a privatização da Petrobras, o Estado liberal e a diminuição dos impostos. “O país está ingovernável. Ou temos o impeachment ou ela renuncia. Vamos pressionar até que ela saia”, garante Kim Kataguiri, 19, líder do MBL, que tem sede em São Paulo, onde esperam reunir 100 mil pessoas. Em Belo Horizonte, onde há braços de grupos de outras capitais, a expectativa é levar 10 mil manifestantes até a praça da Liberdade, ao longo do dia. Parte dos grupos marcou o ato para as 9h30, e outros agendaram para as 15h. O coordenador do Revoltados Online, o administrador de empresas Marcello Reis, 40, também de São Paulo, garante que eles farão outros protestos até que Dilma se afaste da Presidência. “Não toleramos mais a corrupção”, diz o líder do movimento. O Revoltados é formado por jovens de classe média com idades entre 25 e 35 anos. Para manter o QG, num flat vizinho ao do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, em São Paulo, o grupo conta com a venda de kits e camisetas anti-PT por R$ 175. “Somos empresários, advogados e outros trabalhadores”, explica Reis. Para Mauro Scheer, 34, do movimento Brasil Melhor, “é preciso estancar a sangria do país com o impeachment.” E ele vai além. Aposta que desses movimentos poderão surgir “futuras lideranças políticas”. Mesmo com a revolta em relação à corrupção, o Quero me Defender, presidido por Cláudio Penteado, 41, reconhece que faltam elementos jurídicos para um processo de impeachment. “Nossa reivindicação é o fim da corrupção e mais transparência. Golpe é golpe, não importa se de direita ou de esquerda. Não há elementos jurídicos para o impeachment”, critica o líder, que acabou ganhando a antipatia de outras lideranças. O Vem pra Rua, que tem como coordenadora em Minas a fonoaudióloga Carla Girodo, 36, também não levanta a bandeira do impeachment, mas defende a renúncia da presidente “em nome de um país sem roubalheira e que resgate o orgulho da pátria”. Mantido também a partir das doações e venda de camisetas, o grupo está estruturado em núcleos: segurança, organização e confecção de cartazes. Quando o assédio da imprensa aumenta, delegam a uma empresa de assessoria a tarefa de atender e organizar os pedidos de entrevista. “Mas não temos financiamento. Pagamos do nosso bolso porque acreditamos que o Brasil tem jeito”, diz Carla.

Divergências Arrecadação. Cláudio Penteado critica o modelo dos colegas. “O carro de som é R$ 1.500, o que fazem com o resto do dinheiro?”. Ele diz que mantém o movimento sozinho, distribuindo camisetas.

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