Inflação da Páscoa supera os 25% de alta em 12 meses

FGV apura pressão do dólar e da estiagem nos preços

iG Minas Gerais |

Amargo. Chocolate escapa da alta mais recente do dólar, mas está quase 10% mais caro que em 2014
João Lêus
Amargo. Chocolate escapa da alta mais recente do dólar, mas está quase 10% mais caro que em 2014

RIO de janeiro. As guloseimas da Páscoa estão com um ingrediente amargo neste ano: preços bem mais altos que os de 2014. Levantamento da Fundação Getulio Vargas (FGV)mostra que a inflação de dez dos produtos mais procurados durante a festa chegou a 25,03% nos 12 meses encerra dos em fevereiro, de acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), calculado pela instituição, na média nacional. Em igual período do ano passado, os preços dos mesmos itens caíam 0,26%. E o cenário tende a piorar até a reta final do feriadão.

Segundo o economista André Braz, responsável pelo estudo, a pesquisa ainda não captou o peso do dólar mais caro sobre os importados, mas lojistas avisam que está difícil não repassar o efeito do câmbio aos preços de produtos como vinho, azeite. E no caso do bacalhau, já há aumentos de mais de 30%.

Pedro Pereira, diretor comercial da Brascod, importadora do bacalhau Bom Porto, no Rio de Janeiro, calcula avanço de 30% no preço do pescado. Segundo o executivo, pelo menos dois terços desse aumento é decorrente da alta do dólar. “Estamos vivendo um cenário pessimista. Pegou muita gente de surpresa”, afirma Pereira.

Seca e câmbio. Nos dados da FGV, por enquanto, os vilões da inflação da Páscoa são os in natura, afetados pela seca. Liderando o ranking, a batata registrava inflação de 63,49% até o mês passado. Já a cebola avançava 30,44%. Em 2014, as taxas dos produtos haviam ficado negativas. “As condições climáticas não favoráveis estão se prolongando por um período grande de tempo. Esse efeito se acumulou com o verão seco”, explica Braz.

Entre os produtos da pesquisa da FGV que sofrem mais impacto do câmbio, o vinho e o chocolate registraram aceleração frente ao ano passado, subindo 15,84% e 9,32%, respectivamente. O bacalhau chegou a recuar 3,36%, mas o número inclui preços do peixe tipo bacalhau produzido no país, mais barato.

Além disso, as importadoras calculam que os produtos que vão para as mesas dos consumidores em abril chegaram ao país há pelo menos três meses, quando o dólar estava a R$ 2,70. Ainda assim, é um câmbio é cerca de 20% mais alto que o da Páscoa de 2014, quando a divisa norte-americana estava em aproximadamente R$ 2,30.

O Grupo Pão de Açúcar, do supermercado Extra, informou ter encomendado 4.000 toneladas de bacalhau, em uma negociação feita há mais de um ano. A estratégia ajudou a evitar o dólar mais alto e deve permitir que os preços fiquem nos mesmos níveis de 2014, promete a empresa. Nas delicatessens e no pequeno varejo, o esforço também é para segurar preços, mas repasses existem.

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