Sistema faz perder energia

Parte do roubo é, na verdade, perda técnica

iG Minas Gerais |

Emaranhado. 
Proximidade de fios elétricos com os de TV, internet e telefone provoca perdas
Uarlen Valério
Emaranhado. Proximidade de fios elétricos com os de TV, internet e telefone provoca perdas

Rio de Janeiro. No momento em que as discussões sobre a crise do setor elétrico destacam a combinação de consumo em alta e níveis baixos dos reservatórios das hidrelétricas, especialistas voltam as atenções para uma das principais fontes de desperdício de energia no país: as perdas técnicas das distribuidoras. Analistas afirmam que o Brasil poderia economizar até 7% de toda a energia modernizando o sistema de entrega ao consumidor final.

Roberto D’Araujo, diretor do Instituto do Desenvolvimento do Setor Elétrico (Ilumina), avalia que as perdas são pouco discutidas e poderiam, se resolvidas, anular o crescimento do consumo de dois anos seguidos. Para ele, grande parte do que se considera roubo de energia no Brasil é, na verdade, perda técnica na distribuição.

“Os postes são dispostos com emaranhados de fios. Esses fios, pela proximidade com a rede elétrica, geram perdas. Quando vemos desperdício na companhia de água, isso fica nítido, é água escorrendo no chão. Se energia fosse líquida, nossos postes seriam molhados, de tantos problemas”, disse.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) estima que as perdas chegaram a 13,5% da energia gerada em 2013, mas apenas 7,5% seriam técnicas, o restante seria roubo. No mundo desenvolvido, perdas técnicas somam 6%. Nelson Leite, presidente da Associação Brasileira de Empresas Distribuidoras de Energia Elétrica, discorda. “Seguimos rígidos padrões de qualidade, mesmo nos postes compartilhados há regras, não temos problemas de perdas técnicas”, disse.

Rio e SP

Acima da média. Na Light, que atende o Rio e a região metropolitana, a perda técnica chegou a 22,57%. Na Eletropaulo, de São Paulo, as perdas foram de 9,15% em 2013.

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