Projeto pretende escalar os sete cumes mais altos do mundo

Aventura poderá ser acompanhada em programa de TV a cabo e também pela internet

iG Minas Gerais | Luísa Loes |

Liderada pelo montanhista e guia profissional Máximo Kausch, a escalada aconteceu entre 3 e 20 de 
fevereiro deste ano.
gabriel tarso/divulgação
Liderada pelo montanhista e guia profissional Máximo Kausch, a escalada aconteceu entre 3 e 20 de fevereiro deste ano.

Em julho de 2012, Gustavo Ziller enfrentava a rotina pesada de um empreendedor bem-sucedido em São Paulo quando sofreu uma estafa. Aos 38 anos, pesava 106 kg, tinha colesterol alto e levava uma vida sedentária. A reação do corpo veio como um sinal de alerta. Depois do susto, colocou uma meta inusitada em sua vida: em 30 meses, escalaria os sete cumes mais altos do mundo.

Depois de mais de um ano de intensa preparação com nove profissionais da área da saúde, em fevereiro deste ano, Gustavo e sua equipe cumpriram o primeiro desafio estabelecido: o monte Aconcágua, no Chile.

Todo o percurso foi filmado e será exibido a partir de abril no programa “7 Cumes”, que vai ao ar no Canal Off (GloboSat), cuja programação é voltada aos esportes radicais. Além do programa de televisão, a expedição também poderá ser acompanhada no site Extremos (www.extremos.com.br).

Zona da morte. Com 6.960 metros de altura, o Aconcágua é o ponto mais elevado do Hemisfério Sul e, em escala global, só perde em altura para as cordilheiras do Himalaia.

Altitudes acima de 6.000 metros já são consideradas como zona da morte. Com o ar extremamente rarefeito e baixa pressão atmosférica, o corpo tem muita dificuldade de absorver oxigênio e começa a sofrer os chamados “males da montanha”, como dor de cabeça intensa, diarreia e vômito.

As temperaturas no cume do Aconcágua chegam a -30ºC, apresentando também o perigo do congelamento das extremidades do corpo.

Ziller explica que, no Aconcágua, o escalador precisa de no mínimo 15 dias para se aclimatar às condições de temperatura e pressão. Ainda assim, a taxa de sucesso é de apenas 30%.

“Durante nosso período no Aconcágua, a montanha levou a vida de duas pessoas, uma delas resgatada exatamente quando nos aproximávamos da última etapa do ataque ao cume. Foi um choque. Depois disso, continuar se tornou um desafio ainda maior e chegar ao topo me fez repensar toda minha vida até ali”, revela.

Mudança de vida: de empresário sedentário a atleta profissional A trajetória de vida de Gustavo Ziller é diversificada como a de poucas pessoas. Formado em publicidade, o empresário coleciona experiências que vão do serviço militar à apresentação para um público de 40 mil pessoas na época em que era guitarrista de banda de rock. Ziller relata que sempre gostou de assumir desafios que mudavam o rumo de sua vida, mas, estabilizado como empresário, há muito tempo não experimentava o sentimento de liberdade e superação advindo de seguir um caminho novo. “Depois da estafa eu pensei: ‘Será que aos 40 anos ainda é possível me reinventar?’”, conta. Para Ziller, não há nada mais gratificante do que concluir algo desafiador que você se propôs a fazer. “Eu quis sair pelo mundo a escalar montanhas, mas é o tipo da coisa que não tem receita, outros obtém a mesma satisfação escrevendo um livro, pulando de paraquedas ou fazendo uma viagem sozinhos”, conclui o aventureiro.

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