Elis dissecada pelo cinema

Longa de Hugo Prata com a Globo Filmes será filmado em São Paulo, Rio e Paris, e vai mostrar morte da Pimentinha

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Temperamento. “A atriz que viver Elis no cinema terá que passar a explosão e o carisma dela”, diz Hugo Prata
AE/Divulgação
Temperamento. “A atriz que viver Elis no cinema terá que passar a explosão e o carisma dela”, diz Hugo Prata

Há 30 anos, a história de Elis Regina é contada em detalhes líricos por exposições, livros e, recentemente, até um musical. Aos 17 anos, a garota gaúcha chega ao Rio de Janeiro em plena ebulição do golpe militar e, dali em diante, traça um caminho entre a interpretação vocal perfeita e um temperamento explosivo para se tornar a maior cantora do país, lançando do rock rural de Sá, Rodrix e Guarabyra à bossa nova de Tom Jobim. Mas o fim dessa história, no fatídico 19 de janeiro de 1982, com Elis sozinha em seu quarto e imersa em álcool e cocaína, ainda é conservado como uma cicatriz que pudesse voltar a sangrar à menor exposição. “Haverá a morte da Elis no filme. Vamos chegar ao final. Só não posso contar como vai ser. Nenhum detalhe”, garante o cineasta Hugo Prata, da Zulu Filmes, que começa a filmar a primeira cinebiografia de Elis neste ano.

A expectativa é grande porque a morte de Elis nunca foi exposta ao debate popular. Além da nova biografia “Nada Será Como Antes”, de Julio Maria, a única obra que tocou no assunto foi “Furacão Elis” (1985), de Regina Escheverria, mas não foi bem acolhida por familiares de Elis. “Eu cresci ouvindo mal desse livro. E acho que as pessoas podem mudar de opinião no decorrer dos depoimentos”, diz João Marcelo Bôscoli, filho de Elis.

Mas, a experiência de Hugo Prata no meio musical e a proximidade com a família da Pimentinha poderá dar outro rumo à história. Com mais de 60 videoclipes no currículo, ele trabalhou com Ivete Sangalo, Lenine, Capital Inicial, Negra Li, além de Maria Rita, filha de Elis, de quem assina a direção de dois DVDs, “Samba Meu” (2008) e “Coração a Batucar” (2014). “Sempre estive envolvido com música. E como sou amigo do João (Marcelo), manifestei a ele a vontade de fazer meu primeira longa sobre a Elis e ele me deu carta branca”, diz Prata.

Estrutura. Ainda sem nome, a cinebiografia de Elis Regina terá co-produção da Globo Filmes e distribuição pela Downtown Filmes, de Bruno Wainer, dono da meca do cinema brasileiro que assina distribuições de “Olga”, “Tim Maia” e “Divã”. O roteiro será assinado por Nelson Motta e Patrícia Andrade, repetindo a dupla que escreveu a montagem “Elis, A Musical”. A expectativa é que o filme, orçado em R$ 9 milhões, seja lançado no primeiro semestre de 2016.

Atualmente o longa está em fase de pré-produção, iniciada no dia 5 de janeiro e que só acabará em junho. Nesse cenário, ainda serão feitas audições para quase todo o elenco. De antemão, Prata adianta que é “impossível reunir todos os amigos de Elis no filme”, mas que alguns certamente terão papéis importantes, como César Camargo Mariano e Ronaldo Bôscoli, os dois maridos de Elis, além de Luiz Carlos Miele, um dos primeiros a produzir a Pimentinha, e figuras como Milton Nascimento e Tom Jobim, dos principais parceiros da cantora gaúcha. “Esses vão estar. Mas não cogitei atores ainda”, diz.

Sem elenco certo, o filme será rodado em seis semanas, entre junho e julho, em São Paulo e no Rio de Janeiro, além de Paris, onde Elis se tornou a primeira artista do mundo a ter duas temporadas seguidas no Olympia, em 1968. “São as casas musicais de Elis. O filme vai começar com ela novinha, chegando ao Rio no golpe militar com o pai. E Paris será uma pincelada de um momento crucial em sua carreira”, diz Prata, que preferiu deixar de fora o histórico anônimo de Elis Regina, como os concursos vencidos em rádios de Porto Alegre nos anos 1950 e 1960 e sua mania de imitar Angela Maria antes de atingir a fama. “Não cabe tudo em uma hora e meia de filme”, justifica, sem delongas.

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