Uma revolução fonográfica

Artistas e produtores que conviveram com a cantora contam histórias que revelam um pouco de seu personalidade

iG Minas Gerais | LUCAS SIMÕES |

Agencia Estado/reprodução
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Na virada de 1967 para 1968, André Midani, um dos maiores produtores da indústria fonográfica brasileira, tomou um ultimato de Elis Regina: voltando do México para o Brasil, ele ouviu da Pimentinha a seguinte frase: “Ou muda essa porra de estrutura de gravadora, ou eu vou cair fora”.

Na época, Midani retornava às terras brazucas para assumir a extinta Phonogram/Polygram. No cast da gravadora, havia nada menos do que 150 artistas e era impossível projetar a carreira de todos eles. Incomodada, Elis resolveu esquentar a chapa, preocupada com sua carreira solo, depois do sucesso televisivo “Fino da Bossa” (1965-1968), na Record, que apresentava com Jair Rodrigues. “Ela não estava gostando de não ter um produtor eficaz, não estava gostando de ver que a música dela não recebia tratamento promocional e, mais do que isso, não gostava de não ter com quem conversar. Elis precisava de carinho e atenção”.

Como se fosse ontem, Midani lembra que aceitou um convite para jantar na casa de Elis Regina, quando também estavam presentes Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. Após várias taças de vinho e uma “refeição indigesta”, a cantora fez Midani prometer que mudaria a situação comercial e artística da gravadora. “O tempo todo Elis me tratou com distância. Estava visivelmente brava. No fim do jantar, disse a ela: ‘me dá um ano, se no fim de um ano você continuar pouco satisfeita com a companhia, libero seu contrato’. Ela aceitou. Um ano depois tínhamos mudado do diretor artístico ao promocional e reduzido de 150 para 50 artistas nosso casting. Elis deu o grito por uma geração e fez um bem para a música brasileira que pouca gente sabe ou reconhece”, relembra ele.

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