Uma questão de prioridade

Diretor, que começou a carreira como ator, comanda a 12ª produção assinada pelo autor da novela global

iG Minas Gerais | geraldo bessa |

Novidades. Em “Babilônia”, Dennis Carvalho pretende implementar um formato de série nas cenas com sua equipe
Jorge Rodrigues Jorge/CZN
Novidades. Em “Babilônia”, Dennis Carvalho pretende implementar um formato de série nas cenas com sua equipe

O trabalho de diretor de núcleo da Globo toma boa parte do tempo de Dennis Carvalho. Entre encomendas para o setor de teledramaturgia a defesa de projetos mais autorais e novas apostas, a única certeza do diretor de 68 anos é que tudo fica em segundo plano quando entra em produção uma nova novela de Gilberto Braga. À frente de “Babilônia”, ele exalta a parceria com o autor – que assina a novela ao lado de Ricardo Linhares e João Ximenes Braga – e afirma que, entre tantas tarefas, estar no estúdio e dirigir os atores ainda é a parte mais prazerosa do trabalho. “Ver o projeto tomar forma é muito gratificante. Não importa se o ator é experiente ou iniciante, é necessário estar de olho em tudo. Novela precisa de unidade e cuidado”, ensina.

Paulistano e de forte formação teatral, Dennis estreou na TV como ator, em meados dos anos 60. Com passagens pelas extintas TV Paulista e TV Tupi, entrou na Globo para atuar na clássica “Pecado Capital”, de 1975, e está na emissora até hoje. No fim da década de 70, sua curiosidade pelas engrenagens da TV chamou a atenção do diretor executivo Daniel Filho, que o escalou para a equipe de direção de “Sem Lenço e Sem Documento”, novela de 1977. “Dava pitaco em tudo. Devia ser muito chato me dirigir”, ressalta, soltando a risada forte e grave que lhe é peculiar. Ao longo dos anos, trabalhou com os mais diversos autores e foi responsável pela direção de clássicos como “Vale Tudo”, “Pátria Minha”, “O Cravo e A Rosa” e, mais recentemente, a premiada “Lado a Lado”. “A gente vai aprendendo um pouco mais a cada trabalho. O importante é estar sempre em movimento”, destaca. A primeira vez que você trabalhou em uma produção escrita pelo Gilberto Braga foi em “Dancin’ Days”, de 1972. Duas minisséries e nove novelas depois, como vocês fazem para manter e reciclar essa parceria?

Somos uma das duplas mais tradicionais dentro da emissora. Comecei na equipe de direção e, aos poucos, fui assinando como diretor geral dos trabalhos dele. É uma relação de confiança e troca. A gente sabe muito bem qual é a contribuição de cada um e fazemos de tudo para não atrapalhar o trabalho do outro. Já passamos por inúmeros percalços juntos e sempre saímos mais fortes. Todas essas coisas nos mantêm juntos. O que recicla é que a gente sempre traz alguma novidade para não tornar o trabalho monótono. E quais as novidades que você apresenta em “Babilônia”?

Estou tentando implementar um esquema mais visto em séries, que é gravar em cenários com quatro paredes e utilizando muita câmera na mão. É difícil, pois em novela o ritmo de produção é muito mais corrido, mas a diferença no acabamento final é incrível, dá mais realidade às sequências. Mesmo que implique em mais trabalho para a equipe e elenco, acho que vale a pena. Já falei que todo mundo tem de estar preparado. Como assim?

Alguns atores têm mania de chegar atrasados ou sem o texto decorado. Acho isso um absurdo e já avisei ao elenco todo que não quero essa indisciplina em “Babilônia”. É obrigação do ator chegar com o texto na ponta da língua e fazer uma boa cena, são pagos para isso (risos). Temos alguns meses de trabalho pela frente, cada um tem de fazer a sua parte para tudo correr bem. Você ter começado na TV como ator tem alguma relação direta com essa rigidez?

Deve ter (risos). O ator é sempre o meu ponto de maior preocupação dentro da trama. Gosto de estar no estúdio ensaiando e passando texto. É naquele momento que o personagem vai criando forma. E, como eu também sou ator, consigo entender um pouco das inseguranças e dos receios da classe. “O Dono do Mundo”, de 1991, clássica parceria sua com Gilberto, é atualmente reprisada pelo canal pago Viva. Qual sua principal lembrança daquela época?

Não foi a novela mais fácil de se fazer, mas eu tenho muitas recordações maravilhosas. Esses dias, eu estava zapeando e acabei parando na novela. Foi como se eu tivesse voltado no tempo. Vi uma cena linda entre a Fernanda Montenegro e a Letícia Sabatella. Aí, chego no estúdio e encontro a Fernanda. É bacana criar esses laços afetivos e criativos. Novelas servem para isso também.

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