Trama para apostar alto

Com elenco e texto afiados, “Sete Vidas”, folhetim de Lícia Manzo, promete alavancar o horário das seis da Globo

iG Minas Gerais | anna bittencourt |

Conflitos. 

Isabelle Drummond e Jayme Matarazzo vivem Júlia e Pedro, meio-irmãos que se apaixonam
Globo
Conflitos. Isabelle Drummond e Jayme Matarazzo vivem Júlia e Pedro, meio-irmãos que se apaixonam

Dramas humanos e reflexivos sempre rendem pano para manga nas novelas. O problema de novelas assim é cair em um marasmo, como aconteceu com “Em Família”, de Manoel Carlos, um dos maiores entusiastas desse tipo de folhetim. Entretanto, não parece ser o caso de “Sete Vidas”, que estreou no último dia 9, na Globo.

A trama de Lícia Manzo começou com uma apresentação comedida, naturalista e nada didática de seus personagens principais. Na nova novela das seis, meios-irmãos se reúnem através de um site após descobrirem que são filhos do mesmo doador de sêmen. O doador, que para os rebentos é anônimo, é interpretado por um seguro Domingos Montagner. Na primeira vez como protagonista de novela, desta vez na pele do esquivo Miguel, o ator se mostra pronto para o posto.

Além dele, Débora Bloch, intérprete da jornalista Lígia, também merece destaque. No tom certo, a atriz conseguiu boas cenas ao lado de Domingos e Malu Galli, que vive a controladora Irene. Jayme Matarazzo e Isabelle Drummond, que formam o outro casal principal de “Sete Vidas”, também estão acima da média. As boas atuações, inclusive, salvaram o furo dos personagens Júlia e Pedro. Os meios-irmãos combinaram de se encontrar pela primeira vez em uma manifestação. Além de surreal pelo grande número de pessoas, o timing ficou esquisito. Os eventos que pararam as ruas do Rio de Janeiro ficaram muito datados e pareceu um atraso só retratá-los agora.

Boas atuações são trunfo da direção acertada de Jayme Monjardim. Depois da bem-sucedida “A Vida da Gente”, de 2011, o diretor volta a trabalhar com Lícia Manzo. Os textos cheios de diálogos densos e, em sua maioria, em dupla, precisam de uma boa direção de atores. Dilemas profundos e histórias complexas poderiam ter pouca credibilidade se viessem de interpretações fracas. E nisso a dupla se acerta muito bem. Jayme capta perfeitamente o tom naturalista proposto pela autora.

Com muitos acertos e bons ganchos até então inexplorados na teledramaturgia – como a responsabilidade de doadores de sêmen e encontro de meios-irmãos – e outros sempre bem aceitos, como as novas formações familiares, “Sete Vidas” tem tudo para se sair tão bem quanto o último trabalho da dupla. A curta duração, de quatro meses, também tem tudo para jogar em favor da trama. As apostas são altas.

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