40 anos de um baile de tango

Belo Horizonte abre turnê de 2015 do longínquo musical “Uma Noite em Buenos Aires – O Melhor Tango do Mundo”

iG Minas Gerais | Joyce Athiê |

Christianne Poladian
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Ainda em 1974, Manoel Poladian, uma legenda do showbiz brasileiro, criava “Uma Noite em Buenos Aires – O Melhor Tango do Mundo”, espetáculo dedicado ao tango e que reúne maestros e talentos da música e da dança da Argentina. De lá para cá, em 40 anos o musical já foi apresentado mais de 30 mil vezes e está de volta a Belo Horizonte, cidade de abertura da turnê 2015. Em única apresentação, o espetáculo pode ser visto, amanhã, no Palácio das Artes.

O diretor musical, o maestro Carlos Buono, também conhecido como o “Rei do Tango”, integra o elenco há 12 anos e diz que já perdeu as contas de quantas vezes vieram se apresentar na capital mineira. “Não sei ao certo, mas é por volta de umas 15 vezes. E a gente ainda pretende voltar neste ano, porque sempre somos muito bem recebidos, com casa cheia”.

Com exceção da África, todos os demais continentes já receberam o espetáculo. Na América, apenas a Argentina, país de onde nasce o espetáculo, nunca o recebeu. “Falta uma política de apoio ao tango, que é parte da cultura dos argentinos. Mas a verdade, é que, diferentemente do que vemos em outros lugares, o interesse pelo tango tem diminuído por lá”, diz o maestro.

As músicas são executadas pela Tango Sinfônico, formada por outros maestros integrantes de orquestras sinfônicas. Carlos Buono explica que o grupo musical trabalha a partir de dois segmentos, um primeiro dedicado a Astor Piazolla, importante compositor de tango da segunda metade do século XX, e um outro a Carlos Gardel, um dos divulgadores do gênero.

Uma das canções que ele cita que não podem ser retiradas do repertório é “Malena”, de Gerardo Matos Rodríguez, composta para uma brasileira, assim como uma versão de “Insensatez”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes.

Diferente da última apresentação na cidade, realizada no ano passado, o espetáculo traz agora o Ballet Internacional Tango Mayor, coreografado pelos atuais campeões mundiais de tango, Guido Palácios e Florencia Castilla, que participavam como solistas no Ballet de Johana Copes, antigo responsável pelo bailado do espetáculo. Nas coreografias, estão o que há de mais tradicional no tango e também performances mais contemporâneas.

Segundo o maestro, para manter o espetáculo vivo ao longo de tantos anos, a renovação necessita ser uma constante. “A gente precisa ter, fundamentalmente, uma banda musical de muita competência e estar sempre abertos para a variação dos números e também das pessoas que seguem no espetáculo. A maioria dos principais artistas argentinos já participou da montagem”, comenta.

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