“Distinguir o bem e o mal”

Procurador Geral da República rebateu nesta sexta críticas de políticos investigados à atuação do MPF

iG Minas Gerais |

Isenção. 
Janot afirmou que chegará ainda mais fundo das investigações, “sem considerar cargos”
Cleiton Borges / Correio de Uber
Isenção. Janot afirmou que chegará ainda mais fundo das investigações, “sem considerar cargos”

Brasília. O procurador geral da República, Rodrigo Janot, reagiu aos ataques que vem sofrendo por parte de parlamentares investigados na operação Lava Jato e disse que a população saberá distinguir “bem e mal”, “decência e vilania”.

Em evento com procuradores gerais, ele pediu que a classe se mantenha unida e disse que “causa espécie que vozes do Parlamento, aproveitando-se de uma CPI instaurada para investigar o maior esquema de corrupção já revelado no país, tenham-se atirado contra a instituição que começa a desvelar a trama urdida contra a sociedade”.

Nesta quinta, ao depor na CPI da Petrobras, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), voltou a acusar Janot de adotar um critério político para pedir ao Supremo Tribunal Federal (STF) a abertura de uma investigação contra ele. Durante a sessão, Cunha recebeu elogios por praticamente todos os partidos, inclusive aqueles que têm parlamentares entre os investigados pela PGR.

O procurador geral disse acreditar que os “homens de bem” que integram a instituição “não se quedarão inertes” e que “os cidadãos que pagam impostos e que cumprem com seus deveres cívicos saberão, nessa hora sombria e turva da nossa história, distinguir entre o bem e mal, entre a decência e a vilania, entre aqueles que lutam por um futuro para o país e aqueles que sabotam nosso sentimento de nação”.

Ao falar aos procuradores, Janot afirmou que o esquema de corrupção na Petrobras foi exposto ao país “pelos esforços do Ministério Público” e que, também pela atuação do órgão, os “verdadeiros culpados irão responder judicialmente e sofrerão as penas cabíveis”. “Tenho 31 anos de Ministério Público e sempre servi à causa da sociedade com honra e denodo. Não vou permitir que, neste momento da vida funcional, interesses vis ou preocupações que estejam além do Direito influenciem o meu agir”, disse.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também investigado na Lava Jato, desistiu de encampar uma CPI para investigar o Ministério Público, mas pretende articular para rejeitar a recondução de Janot, cujo mandato vence em setembro, ao cargo de procurador geral da República. Em outra frente, o deputado Paulinho da Força (SD-SP) apresentou, nesta quinta, requerimento à CPI pedindo a quebra dos sigilos de e-mail e telefônico de Janot.

Nesta sexta, ao cobrar união dos membros do Ministério Público Federal, o procurador geral da República disse que não vai retroceder. “Unidos no mesmo propósito, chegaremos ainda mais fundo nesse caso, sem considerar cargos, títulos ou honrarias de quem quer que seja”.

Apoio

PSOL. Um grupo de parlamentares liderados pelo PSOL pretende na próxima semana prestar apoio ao procurador geral Rodrigo Janot. O grupo deve levar um manifesto em defesa das investigações sobre o esquema de corrupção na Petrobras.

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