Temer será bombeiro de novo

Vice-presidente participou de evento do Judiciário em Belo Horizonte após Dilma cancelar viagem

iG Minas Gerais | Guilherme Reis |

Entrevista. 
À imprensa, Temer afirmou que as manifestações são positivas, mas têm que ser pacíficas
FOTO: MOISES SILVA / O TEMPO
Entrevista. À imprensa, Temer afirmou que as manifestações são positivas, mas têm que ser pacíficas

O vice-presidente da República, Michel Temer (PMDB), disse nesta sexta que o Executivo poderá estancar a crise com o Congresso Nacional ao assumir a articulação política do governo. Ele afirmou que vai trabalhar para melhorar o clima entre os Poderes. Nesta semana, a presidente Dilma Rousseff decidiu ampliar a equipe de coordenação política e incluiu, entre outros, o ministro da Aviação Civil, Eliseu Padilha, próximo a Temer. No primeiro mandato, o vice teve papel fundamental para manter o diálogo com o Congresso.

Em Belo Horizonte para participar da solenidade de balanço dos trabalhos realizados pelos Tribunais de Justiça do Brasil na campanha “Justiça pela Paz em Casa”, Temer disse que o governo tenta se reestruturar para conter a “desobediência” do Congresso, comandado por seu próprio partido, o PMDB.

O vice-presidente ressaltou que, ao capitanear a articulação política, o Executivo terá mais facilidades para atuar no Legislativo e aprovar os ajustes econômicos. “Facilitará muitíssimo. Fui ao Congresso e declarei que o Executivo não governa sozinho. Toda vez que o governo vai produzir um ato de natureza legislativa, ele precisa conversar com as lideranças do Congresso. Tem que haver um ajustamento, e isso está acontecendo. O que estava acontecendo era uma tensão institucional. Ela deve ser resolvida com diálogo”.

As primeiras manobras para suavizar o clima no Congresso vão acontecer na próxima semana, segundo Temer, quando o vice-presidente irá se encontrar com lideranças do Parlamento. “O escalonamento do Imposto de Renda deu certo. Agora, o caminho está mais fácil com o diálogo”, afirmou, referindo-se à manutenção do veto presidencial ao projeto que reajustava a tabela do Imposto de Renda em 6,5%. Para garantir a manutenção do veto, o Planalto editou uma medida provisória com reajuste escalonado da tabela.

O próximo passo é a aprovação das medidas de ajuste fiscal que estão no Congresso e que o governo considera primordiais para a recuperação da economia e das contas públicas. “Colaborarei muito nesse diálogo institucional. Na conversa, muitas vezes o Executivo tem uma proposta percentual e não é a desejada pelo Congresso. Neste momento é preciso fazer o ajustamento.”

Cargos. Embora o governo busque a reaproximação com o PMDB, Temer negou que a boa-vontade do partido com o Executivo custe a Dilma a oferta de cargos à legenda. “Não está em pauta isso. É uma decisão da presidente. Ela quem decide como compõe o governo. É uma coisa normal do regime presidencialista.”

Substituto

Oficial. A princípio, quem participaria do evento do Judiciário em Belo Horizonte – sobre violência doméstica – seria a presidente Dilma Rousseff (PT). Contudo, o vice, Michel Temer, foi chamado a substituí-la porque a mãe da petista teve problemas de saúde.

Boatos. Nos bastidores, o cancelamento da agenda presidencial seria motivado por medo de vaias a Dilma, já que havia protestos marcados na capital.

Doença. De acordo com a Secretaria de Imprensa da Presidência, Dilma Jane Silva, 90, está doente. A secretaria não informou o estado de saúde dela nem a doença. A presidente passou a manhã no Palácio da Alvorada, residência oficial onde mora com a mãe.

Instrumentos

Padilha. O líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ), disse que Eliseu Padilha precisará de “instrumentos” para desempenhar seu papel na articulação política do governo.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave