Manifestações e juros nos EUA fazem dólar pular para R$ 3,249

Moeda acumula alta de 13,76% no mês e de 22,2% no ano; nesta sexta, fechou no maior valor em 12 anos

iG Minas Gerais | Da redação |

Efeito. Dólar mais alto impacta preços de serviços de bufê e de padarias de Belo Horizonte, tudo por causa do trigo, que é importado
douglas magno
Efeito. Dólar mais alto impacta preços de serviços de bufê e de padarias de Belo Horizonte, tudo por causa do trigo, que é importado

São Paulo. Numa sessão bastante tensa nesta sexta, o dólar voltou a disparar ante o real e atingiu o maior valor em quase 12 anos. As preocupações com a economia brasileira e com a crise política somou-se ao firme avanço do dólar no exterior, em meio à avaliação de que o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) está próximo de elevar sua taxa de juros. No pior momento do dia, o dólar chegou a se aproximar dos R$ 3,28, para depois encerrar em patamar um pouco menor, aos R$ 3,249, com alta de 2,77%. Esse é o maior valor desde 2 de abril de 2003. A moeda subiu em nove das últimas dez sessões. Na semana, a alta foi de 6,3%. No mês, há valorização acumulada de 13,76% e, no ano, de 22,2%.

Fontes do governo se movimentaram após o encerramento dos negócios à vista, citando inclusive “claro exagero” na alta do dólar. Isso impactou a moeda para abril, que subia um pouco menos no final da tarde (+2,34%, aos R$ 3,2605). Pela manhã desta sexta, as tensões internas, amplificadas pelo retorno das manifestações em várias cidades do país, já abriam espaço para a busca de dólares. No exterior, a moeda norte-americana também subia ante várias divisas, com investidores se posicionando antes da reunião do Fed, na semana que vem. A leitura era de que o Fed tende a dar sinais de que a alta de juros está próxima, assim, há uma preferência dos investidores internacionais pelo país, o que tira as apostas em países mais instáveis, como o Brasil neste momento.

O movimento no mercado nacional foi intensificado no início da tarde desta sexta, após notícias publicadas na imprensa de que o governo vê parte da alta do dólar como especulação e que não queimará reservas para conter o avanço. Em meio a leitura de que o BC não entrará nos negócios, o dólar chegou a se aproximar dos R$ 3,28 no balcão, para depois se acomodar, em patamares mais baixos.

Fontes do governo falaram que o BC tem procurado mostrar que o ajuste no câmbio tem que se dar de maneira suave e que a instituição vê claro exagero na alta do dólar no Brasil. Ainda segundo as fontes, a autoridade monetária avalia que o movimento do dólar nesta sexta reflete olhar de curto prazo, devido à reunião do Federal Reserve na próxima semana.

Nas casas de câmbio, moeda era vendida por até R$ 3,68 Nas casas de câmbio de Belo Horizonte, o dólar turismo em espécie se aproximou da barreira dos R$ 3,50 nesta sexta, afetando principalmente quem planeja uma viagem para o exterior. Na Cotação Corretora, a moeda norte-americana foi vendida a R$ 3,45, já com o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). No cartão pré-pago, com taxa de IOF maior (6,38%), valia R$ 3,63. Na Confidence Corretora, o dólar em espécie era achado a R$ 3,49, e o produto no cartão pré-pago, a R$ 3,64. No Grupo Fitta, cada dólar saía por R$ 3,46 em espécie e no valor de R$ 3,68 no cartão. Já na Picchioni, o dólar valia R$ 3,47, valor que salta para R$ 3,66 no cartão pré-pago.

Turismo O diretor corporativo da Exodus Turismo, Rogério Miranda, informa que a tendência é que haja queda na venda de pacotes, tanto nacionais quanto internacionais, já que grande parte dos custos das companhias aéreas estão muito ligados ao dólar, como o valor do combustível das aeronaves.

Aéreas Algumas companhias aéreas, com a redução da demanda entre o Carnaval e a Semana Santa, e com o dólar mais alto, fazem promoções para atrair o consumidor. A Associação Brasileira das Empresas Aéreas destaca que as promoções não são novidade e vêm se intensificando desde 2013.

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