Queimando o filme ainda mais, que pena!

iG Minas Gerais |

Dizem que a última impressão é a que fica. Se for assim, o técnico Luiz Felipe Scolari parece estar fazendo de tudo para entrar para a história de maneira negativa, embora tenha sido campeão do mundo com a seleção brasileira em 2002 – coisa para muito poucos – e mereça todo o respeito e reverência por causa disso. Como se não bastasse a postura dele após o 7 a 1 da Alemanha na última Copa do Mundo, o maior vexame dos Mundiais – quiçá do futebol –, Felipão vem protagonizando episódios deprimentes no comando do Grêmio, clube que o projetou para o mundo após a conquista da Libertadores de 1995 e que lhe deu uma nova chance depois da tragédia no Mineirão. Sem discutir o desempenho esportivo, tanto da seleção brasileira durante a Copa quanto do tricolor gaúcho após a volta do treinador, Felipão está estragando a trajetória que construiu como técnico de futebol e parece não estar atento a essa situação, o que é uma pena, principalmente para ele. Na quarta-feira, Scolari foi expulso do banco de reservas do Grêmio mais uma vez, em partida contra o Ypiranga, pelo Campeonato Gaúcho. Claro que não é “privilégio” de Felipão ser expulso, como acontece toda hora com outros treinadores, mas a sequência de fatos envolvendo o campeão do mundo e as motivações para eles é que deveriam preocupá-lo, assim como aos que o assessoram – e até mesmo seus familiares –, que devem prezar pela imagem que ele deixará para as futuras gerações. O treinador chamou o juiz da partida, Francisco Silva Neto, de “Chico Colorado”, insinuando que o árbitro estaria prejudicando o Grêmio por ser torcedor do maior rival, o Internacional. Coincidência ou não, o time de Felipão perdeu a partida por 1 a 0. Embora não tenha usado palavras de baixo calão, Scolari demonstrou, mais uma vez, sua visão antiquada, ultrapassada, obsoleta e provinciana do futebol, como ficou claro em seu trabalho durante a Copa do Mundo. O desequilíbrio emocional e profissional de Felipão chegou ao ápice no último dia 14 de fevereiro, quando ele abandonou o banco de reservas do Grêmio antes do fim da partida contra o Veranópolis, também pelo Gauchão, quando seu time perdeu por 1 a 0. “Me expulsei. Mais vergonha do que isso, impossível passar. A equipe não apresenta nada daquilo que a gente faz no treinamento. Não adianta ficar enganando a torcida do Grêmio. Não tinha mais o que fazer, fui embora para o vestiário. Acabou o assunto. Não criamos nada, os adversários vêm aqui e tomam conta do jogo. Não aproximamos. Faltavam três ou quatro minutos, e fui embora, para não tomar uma atitude errada e esfriar a cabeça”, disse o treinador após a partida. É estarrecedor, mas, para ele, dar as costas para quem pagou ingresso, para seus jogadores, para os atletas adversários, para o colega de profissão no outro banco e, principalmente, para o clube que mais o ajudou a fazer dele o que ele um dia foi não é uma atitude errada. Escrever mais o quê? Muito sinceramente, é triste ver uma pessoa que tanto contribuiu para o futebol brasileiro positivamente jogar tudo isso no lixo. Os motivos para tal postura eu não sei, mas acho que é falta de humildade para reconhecer que chegou a hora de parar, ou, no mínimo, de se reciclar. Será que Felipão tem a intenção de voltar para a seleção brasileira para apagar a mácula deixada em sua história por causa do 7 a 1? Pelo futebol brasileiro e pelo próprio Felipão, tomara que não! Oposto. Fred foi, ainda é e talvez sempre seja o jogador mais ligado ao vexame brasileiro na Copa de 2014, pois realmente jogou muito mal o Mundial. Mas, ao contrário de Felipão, sua postura fora de campo continua impecável, o que só aumenta minha admiração por ele, já que nunca foge de assumir suas responsabilidades. Depois de peitar as torcidas organizadas do Fluminense, agora vem dando toda a força para a garotada que o time está lançando.

FMF amadora. A Federação Mineira de Futebol completou 100 anos e fez uma grande festa para comemorar, mas parece ainda estar no século passado, mesmo com o presidente mais novo de federação: Castellar Neto, de 30 e poucos anos. No domingo passado, no mínimo cinco horas após o fim do clássico, a tabela do Mineiro no site da FMF ainda estava desatualizada, sem computar só o jogo mais importante do Estado.

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