Temporada começa no ‘STF-1’

Giedo van der Garde aceitou não correr na Austrália, mas briga por vaga está longe de acabar

iG Minas Gerais | Débora Costa* |

Expectativa.
 Brasileiro Felipe Nasr teve o lugar ameaçado no grid deste domingo por causa da confusão de sua equipe, a Sauber
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Expectativa. Brasileiro Felipe Nasr teve o lugar ameaçado no grid deste domingo por causa da confusão de sua equipe, a Sauber

Chegou a hora! Os carros estarão posicionados no grid, no início da madrugada deste domingo (2h de Brasília), para a primeira corrida da temporada 2015 da Fórmula 1, em Melbourne, na Austrália. Porém, a 65ª edição da principal categoria do automobilismo começa diferente: dois brasileiros estão inscritos, o que não ocorria desde 2012 (Felipe Massa e Bruno Senna correram), mas um deles está envolto, involuntariamente, em uma polêmica, que foi parar na Justiça e parece estar longe de terminar.

Neste ano, Felipe Nasr fará sua estreia na F-1, correndo pela equipe suíça Sauber, que descumpria, até nesta sexta à noite, uma determinação provisória da Justiça australiana para incluir o holandês Giedo van der Garde no grid, o que acarretaria a exclusão de um dos dois pilotos da Sauber da corrida. O sueco Marcus Ericsson é o outro contratado do time suíço.

O caso. Van der Garde era piloto reserva da Sauber em 2014. O holandês alega que, no contrato firmado no ano passado, a equipe prometia a titularidade em 2015, mas o corredor acabou dispensado. Devido à crise financeira mundial, a escuderia optou por corredores que trariam grandes patrocinadores.

O holandês, então, apelou à Justiça australiana e suíça para reaver a vaga; e, em julgamento nesta semana no Tribunal da Corte do Estado de Victoria, o advogado do excluído apresentou as provas, que foram consideradas irrefutáveis.

A Sauber recorreu da decisão na Austrália, alegando que Van der Garde não havia treinado com o novo carro e, por isso, estava sob sério risco de segurança, mas teve o pedido negado.

Um novo julgamento do caso deve ocorrer nos próximos dias, mas, nesta sexta, o holandês e a Sauber chegaram a um acordo e ele aceitou ficar fora da corrida deste domingo. Com isso, Nasr e Ericsson estão confirmados para o GP australiano.

Desempenho e grana. A chance de saída de Nasr era considerada pequena, mesmo que Sauber e Van de Garde não tivessem se acertado provisoriamente. O brasileiro trouxe muito dinheiro para a equipe, algo entre R$ 40 milhões e R$ 60 milhões, grande parte verba oriunda do Banco do Brasil, o patrocinador master de Nasr.

A escuderia chegou a mudar a cor de seu carro para azul, à pedido do banco, que também estampava sua marca na maior parte do monoposto. Além disso, os resultados do piloto brasileiro na pré-temporada foram melhores do que os do sueco.

Massa aposta na história vitoriosa da Williams Terceira colocada no Mundial de Construtores em 2014, a Williams entra no campeonato para buscar algo mais do que boas colocações. A filosofia da escuderia britânica é brigar por pole positions, vitórias e talvez até o título. Em 2014, a equipe recuperou a dignidade nas pistas, ao voltar a figurar nos pódios da Fórmula 1, especialmente com o finlandês Valteri Bottas, mas Felipe Massa também foi bem, principalmente na segunda metade da temporada. A equipe, que entre os anos 80 e 90 faturou sete títulos, pretende agora retomar a era de glórias. A meta é se aproximar da Mercedes. Para isso, o time de Frank Williams focou no aprimoramento do carro de 2014. O modelo atual, o FW37, mantém os motores Mercedes e é visto como uma evolução do antigo bólido, o FW36. Nos testes em Barcelona, na Espanha, o time britânico mostrou um pouco do que planejou para o campeonato, conquistando excelentes tempos e se mantendo nas pistas sem ter quebras de motores, apesar de os pilotos receberem ordens de “não revelar” o potencial máximo do time. “Acho que ainda é um pouco cedo para termos certeza de onde estamos, temos muito trabalho pela frente ainda, mas estou me sentindo bem no carro. No ano passado não fomos bem nesta pista de Barcelona, então houve uma evolução”, disse Felipe Massa depois dos treinos.

Na pista Treinos livres. Pouca coisa mudou do primeiro para o segundo treino livre do GP da Austrália, nesta sexta. Nico Rosberg se manteve no topo, seguido pelo companheiro de Mercedes Lewis Hamilton, apenas 0s1 mais lento. A Ferrari conseguiu superar a Williams desta vez e emplacou Sebastian Vettel e Kimi Raikkonen em terceiro e quarto lugares, respectivamente. Valtteri Bottas, da Williams, antes terceiro, completou o top 5. O companheiro Felipe Massa não pôde ir para a pista por causa de um vazamento de água no carro, ficando em 18º. Alívio. O acordo entre Giedo van der Garde e a Sauber possibilitou que Felipe Nasr e Marcus Ericsson fossem a pista. O brasileiro fez o 11º melhor tempo, enquanto o sueco sofreu com a quebra da suspensão traseira de seu carro e deu só 14 voltas, ficando em 15º. O terceiro treino livre a tomada de tempos para a definição do grid de largada da corrida seriam na madrugada deste sábado.

Mercedes segue à frente Campeã de 2014. Entre as escuderias que devem disputar o título, a Mercedes segue disparada como favorita. Na tentativa de quebrar a hegemonia dos alemães, Ferrari, Red Bull e Williams também vêm forte para a temporada. “A Mercedes é a franca favorita até a hora da verdade. Mas tudo isso pode mudar muito, pois ainda não se viu a realidade dos carros”, diz Lito Cavalcanti, correspondente da revista britânica “Autosport” e comentarista do SporTV.

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