Transgêneros ganham ações de inclusão em “paraíso gay”

Série “Transparent” é um dos sinais de que causa ganha mais visibilidade

iG Minas Gerais | Noah Smith |

A série “Transparent”, em cartaz nos EUA, foi aclamada pela crítica e pelo público
Beth Dubber
A série “Transparent”, em cartaz nos EUA, foi aclamada pela crítica e pelo público

West Hollywood, EUA. A cidade norte-americana de West Hollywood, na Califórnia, foi uma das primeiras nos Estados Unidos a aprovar a lei de casamento homossexual. Foi também uma das primeiras comunidades vistas como paraíso gay: quando foi incorporada, em 1984, a maioria dos membros da Câmara Municipal era abertamente gay, ajudando a dar a West Hollywood a alcunha de “Camelot Gay”. Prova disso é que, até hoje, suas calçadas têm as cores do arco-íris.

West Hollywood agora faz parte da vanguarda dos lugares que cuidam para que os transexuais se sintam mais bem-vindos: uma portaria começou a vigorar neste mês abolindo a denominação tradicional de “homens” ou “mulheres” em banheiros públicos com cabines individuais, atendendo às solicitações da considerável comunidade de transgêneros que não acreditam se encaixar em nenhuma das categorias.

Restaurantes e outros estabelecimentos não terão que fazer alterações caso os banheiros tenham várias cabines; os de cabine única, porém, precisam ser rotulados de “gênero neutro”; as empresas têm 60 dias para se adaptar, mas é suficiente colocar apenas uma placa.

“Os banheiros com divisão de gênero podem ser pouco acolhedores e representar insegurança para muitas pessoas cuja identidade está fora das normas tradicionais. Mudar os que não têm divisórias de gênero específico para neutro é uma maneira simples e barata que torna as instalações na cidade de West Hollywood mais acolhedoras e abertas a todas as pessoas, independentemente da forma com que se apresentam ou se identificam sexualmente”, disse um comunicado de imprensa emitido pela prefeitura de West Hollywood.

Nesse caso, a cidade não é uma pioneira completa: Washington aprovou uma legislação semelhante em 2006; nos últimos dois anos, várias outras comunidades – incluindo Filadélfia, Austin, no Texas, e o Condado de Multnomah, no Oregon, onde se localiza Portland – promulgaram leis exigindo banheiros neutros.

Em destaque. Essa enxurrada de novas regras reflete o maior destaque e visibilidade dos transexuais. O programa de streaming “Transparent”, do Amazon Studios, foi amplamente aclamado pela crítica e o ator principal da trama, Jeffrey Tambor, ganhou um Globo de Ouro neste ano por seu desempenho como um homem que se vê como mulher.

“Em relação à designação dos lavatórios, parecia ser importante não só mudar como ser inclusivo e pioneiro. Esperamos que o resto do país adote normas semelhantes”, disse Abbe Land, vereador em West Hollywood que liderou o esforço.

Mudança é significativa, diz ONG West Hollywood. As leis de banheiro neutro variam ligeiramente de uma cidade norte-americana para outra; nenhuma delas atualmente exige modificações nos lavatórios existentes além de sinalização, porém, a maioria requer que, no futuro, crie-se um certo número de instalações de gênero neutro com base no código de construção do país. “Essa é uma mudança pequena que gera um progresso significativo, porque todo mundo precisa de acesso seguro e confiável ao banheiro, incluindo as pessoas transgêneras”, avalia Alison Gill, consultora legislativa do Human Rights Campaign, grupo que trabalha com direitos de lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros.

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