Na voz doce de Nina Becker

iG Minas Gerais | Bárbara França |

Nina apresenta a face mais solar da obra de Dolores
caroline bittencourt/divulgação
Nina apresenta a face mais solar da obra de Dolores

Que adolescente não se trancou no quarto para chorar as pitangas da vida e sofrer um bocado com a cabeça debaixo do travesseiro e o som no talo? Com a então jovem Nina Becker não foi diferente. Ela se debulhava em lágrimas pelos amores da vida toda de uma semana, mas com uma trilha um pouco excêntrica para as garotas da sua idade. Alternando as guitarras do rock, a cantora também encontrava acalento na voz grave e cheia de sentimento de Dolores Duran. “Dolores talvez seja uma das minhas maiores musas, eu escuto desde novinha”, conta Nina, que “descobriu” a diva da noite carioca em um songbook sobre a Bossa Nova. O fato de Dolores ser a única mulher entre compositores tão importantes do movimento como Tom Jobim e Vinicius de Moraes havia lhe chamado bastante atenção. Desde então, a cantora guardava em si uma vontade de expressar sua admiração pela artista que, morta aos 29 anos, foi tão brilhante em tão pouco tempo. O sonho de adolescente amadureceu e se transformou no show que Nina apresenta em Belo Horizonte na próxima sexta-feira (20), inteiramente baseado nas canções compostas por Dolores ou em parceria. O repertório, que conta, entre outras, com “Estatuto de Boate”, “Feiura Não É Nada”, “Coisa Mais Triste”, “Vou Chorar”, “Outono”, “Coisas de Mulher” e “Carioca 1954”, faz parte de seu mais recente disco “Minha Dolores”, lançado no ano passado. Diversão A ideia de cantar estas músicas, no entanto, era menos pretensiosa que isso. Preparando um simples espetáculo de fim de ano, Nina reuniu os músicos Luis Barcelos e Lucas Porto, que fazem parte da sua banda autoral, e começaram a brincar com as melodias, as harmonias e as interpretações. “Minha banda é uma banda de rock e foi muito enriquecedor fazer algo mais voltado para o samba, que nunca tínhamos feito. Em ‘Solidão’, por exemplo, saiu até um fado”, diverte-se a cantora. A brincadeira logo se tornou coisa séria. Em novembro de 2013, após o show de estreia em São Paulo, o DJ Zé Pedro comentou com Nina que ela tinha que registrar aquele material em disco e fez o convite para gravar pelo selo dele, o Joia Moderna. Talvez o aspecto que mais tenha tocado o público naquele dia tenha sido a opção da cantora em fugir um pouco da fossa com a qual Dolores tem sido tão associada através dos tempos. Nina mostrou que a obra de uma das precursoras da Bossa Nova também podia ser mais solar e menos lama. “Minhas escolhas foram mais afetivas e menos pensadas, mas o universo dela é tão rico, que vai além da dor de cotovelo. Ela era engraçadíssima!”. Dar vida à “Minha Dolores” foi também uma oportunidade de Nina se entender melhor como cantora, verdadeiramente. “São outros tipos de melodias. Eu tive realmente que investir numa coisa de voz que nunca tinha me preocupado tanto. Foi uma descoberta, descobrir coisas que nunca tinha experimentado e pude ter certeza que eu não sou uma fraude!”, afirmou. Nina Becker Teatro Bradesco (r. da Bahia, 2244, Lourdes, 3516-1360). Sexta-feira (20), às 21h. R$ 40 (inteira)

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