Boa viagem, meninos!

iG Minas Gerais | Jessica Almeida |

Inspiração - O nome da companhia é referência a um poema do francês Paul Verlaine
Mariana Chama/Divulgação
Inspiração - O nome da companhia é referência a um poema do francês Paul Verlaine

Barcos, trens e até mesmo um elefante: esses são alguns dos meios de transporte utilizados por Mr. Fog, lorde inglês apaixonado por geografia, e seu dedicado criado francês Passpartout, para realizar a prodigiosa tarefa de dar “A Volta ao Mundo em 80 Dias”, no famoso romance de Júlio Verne. Um balão, no entanto, talvez seja o elemento mais marcante no imaginário das pessoas relacionado à história. A ponto de muitos espectadores procurarem os dois integrantes da Cia. Solas de Vento para questionar a ausência do objeto ao fim do espetáculo homônimo em que contam sua versão da história, e que será apresentado no Galpão Cine Horto, no próximo fim de semana (dias 21 e 22). A questão é que algumas adaptações da aventura foram mescladas com referências a outro livro do autor francês: “Cinco Semanas em um Balão”. “Até nós nos surpreendemos quando começamos a estudar o livro e não havia balão. E como buscamos nos manter fiéis à obra original, nosso espetáculo também não tem”, explica o ator Bruno Rudolf. Dirigida por Carla Candiotto, “A Volta ao Mundo em 80 Dias” é a primeira peça infantil da companhia e recebeu o prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA) 2011, nas categorias melhor direção e melhor ator, para Bruno Rudolf – que também foi o eleito da mesma categoria no Prêmio Femsa de Teatro Infantil do mesmo ano. O espetáculo foi concebido cenograficamente a partir do quebra-cabeças chinês tangram, cujas sete peças podem formar mais de 5.000 figuras. Alguns pedaços de ferro e sucata, portanto, são transformados, no decorrer do espetáculo, nos diversos lugares por onde passam os personagens e nos transportes usados por eles durante a viagem. A encenação também faz uso de três câmeras de vídeo que projetam ao vivo as imagens captadas. Uma delas, suspensa sobre o palco, transfere movimentos feitos pelos atores no chão para o fundo do teatro. O recurso foi inspirado no trabalho do fotógrafo alemão Jan von Holleben, conhecido por criar figuras fantásticas posicionando cenários e modelos no chão. “O grande diferencial é que todas as imagens projetadas são criadas naquele momento. Para as crianças, isso é impressionante porque elas estão acostumadas a conviver com o bombardeio de imagens, mas não sabem como foram criadas, de onde veem. No espetáculo elas conseguem entender”, conta o ator. Origem Francês como Júlio Verne e Passpartout, personagem que interpreta, Bruno veio para o Brasil em 2001, “fugindo” do serviço militar de seu país. “Na época, ainda era obrigatório e a alternativa que tínhamos era trabalhar para o governo da França por dois anos em outro país”, conta. Mandado para São Paulo ao acaso, ele decidiu permanecer na cidade após o fim do período. Acabou conhecendo Ricardo Rodrigues, com quem formou, em 2007, a Cia. Solas de Vento. Juntos, utilizam em sua dramaturgia uma mistura de elementos do teatro gestual, das técnicas circenses e da dança contemporânea, além da pesquisa de projeção de vídeo ao vivo.   Trabalhar com a obra de Júlio Verne não foi uma escolha casual. “Todos os nossos espetáculos tratam da viagem como formadora para o ser humano. Temos a volta ao mundo como uma marca muito forte no nosso imaginário”, justifica Bruno. A Volta ao Mundo em 80 Dias Dir. Carla Candiotto Galpão Cine Horto (r. Pitangui, 3.613,Horto, 3481-5580). Dias 21 (sábado) e 22 (domingo), às 16h30. Gratuita (senhas serão distribuídas na bilheteria uma hora antes de cada apresentação).

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave