Dólar atinge R$ 3,28 e recua, mas fecha no maior valor em 12 anos

Foi o terceiro dia seguido de alta da moeda americana, em que operadores também testam até quando o Banco Central vai manter o "sangue frio" e assistir a alta do dólar sem elevar suas intervenções no câmbio

iG Minas Gerais | Folhapress |

Para o alto.
 Divisa dos EUA não subia tanto desde setembro de 2004, quando foi cotada a R$ 2,940
Marcos Santos/USP Imagens
Para o alto. Divisa dos EUA não subia tanto desde setembro de 2004, quando foi cotada a R$ 2,940

O dólar bateu em R$ 3,28 nesta sexta (13), dia marcado por protestos a favor do governo, valorização internacional da moeda americana, além de uma série de rumores e de boatos que vão de um novo atraso no balanço da Petrobras até uma ameaça de demissão do ministro Joaquim Levy (Fazenda) caso fosse derrotado em um embate com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sobre o socorro às elétricas.

Foi o terceiro dia seguido de alta da moeda americana, em que operadores também testam até quando o Banco Central vai manter o "sangue frio" e assistir a alta do dólar sem elevar suas intervenções no câmbio.

No meio da tarde desta sexta (13), porém, o dólar à vista, referência no mercado financeiro, recuou e fechou em alta de 2,91%, a R$ 3,251, o maior patamar desde 2 de abril de 2003. Na semana, a alta foi de 6,59%, e no ano o dólar sobe 22,8%.

O dólar comercial, usado no comércio exterior, avançou 2,81%, a R$ 3,250, no maior valor desde 3 de abril de 2003. Na semana, subiu 6,3%, e no ano a alta é de 22%.

FATOR LEVY

O risco de o ajuste fiscal ficar comprometido por causa da derrubada de um veto presidencial levou o ministro Joaquim Levy (Fazenda) a fazer um desabafo, usado por governistas para pressionar seus aliados, de que neste caso preferia pedir demissão.

A ameaça do ministro foi feita na última quarta-feira (11), quando o Congresso quase derrubou o veto da presidente Dilma à prorrogação até 2042 dos subsídios sobre a energia elétrica para grandes empresas do Nordeste.

No governo também vigora a avaliação de que o mercado está testando o Banco Central para saber se a autoridade monetária vai atuar para conter a alta da moeda americana.

Segundo auxiliares, o governo não vai "piscar" e só tomará medidas em caso de avaliar que o quadro vai além de uma forte volatilidade provocada pelo momento de instabilidade política no Brasil e por fatores externos.

Na manhã desta terça (10), o Banco Central deu sequência às vendas de contratos de swap que tem sido feitas normalmente, segundo programa de intervenções no mercado já em vigor.

CENÁRIO EXTERNO

Mas não são só as tensões domésticas que impulsionaram o dólar ante o real. O cenário externo também contribuiu para a forte valorização da moeda americana. Das 24 principais moedas de países emergentes, 22 se desvalorizaram em relação ao dólar nesta sessão.

Na semana que vem ocorre a reunião do Federal Reserve (Fed, banco central americano) e analistas esperam que a autoridade monetária retire de seu comunicado a palavra "paciente" ao se referir a um possível aumento na taxa de juros nos Estados Unidos.

Uma elevação dos juros deixa os títulos americanos -considerados de baixo risco e cuja remuneração acompanha a oscilação da taxa- mais atraentes aos investidores internacionais, que preferem aplicar seus dólares lá a levar os recursos para países de maior risco -como emergentes, incluindo o Brasil.

Diante da perspectiva de entrada menor de dólares no Brasil, o preço da moeda americana sobe em relação ao real.

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