Próximo governo de Israel terá desafios diplomáticos complicados

A questão que mais se destaca é a crise de confiança entre Israel e os Estados Unidos

iG Minas Gerais | AFP |

Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu
AP Photo/Menahem Kahana, Pool
Primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu

O próximo primeiro-ministro israelense não terá tempo para comemorar a vitória, segundo analistas, precisando se ocupar de desafios diplomáticos complicados, sobretudo se Benjamin Netanyahu for mantido no cargo, após as eleições legislativas de terça.

A questão que mais se destaca é a crise de confiança entre Israel e os Estados Unidos. Mas há outros pontos, como as acusações dos palestinos no âmbito do direito internacional, o acordo nuclear com o Irã e as tensões com a Europa pela colonização na Cisjordânia.

A reeleição de Netanyahu, que busca o terceiro mandato consecutivo contra uma coalizão de centro-esquerda liderada pelo trabalhista Isaac Herzog, poderia resultar em mais dificuldades nesses temas, avaliam os especialistas.

A relação entre Netanyahu e Barack Obama, que já não era das melhores, piorou com o discurso do governante israelense no Congresso dos EUA. Na semana passada, o primeiro-ministro criticou o acordo entre as grandes potências e o governo iraniano no tocante ao programa nuclear do segundo.

"O preço que [Netanyahu] vai ter de pagar por expressar publicamente estas críticas e entrar no debate público é a perda de influência nas [reuniões] a portas fechadas", destaca Yigal Palmor, ex-porta-voz do Ministério de Relações Exteriores.

"Se Netanyahu permanecer no posto, será particularmente difícil para ele coordenar a diplomacia com os EUA", considera Eytan Gilboa. "E não apenas no que se refere ao Irã, mas também em todos os temas que o governo dos Estados Unidos costuma apoiar os israelenses", afirma Gilboa, consultor com especialização nas relações entre EUA e Israel, na Universidade Bar Ilan, próxima a Tel Aviv.

Entre os temas, figuram ações unilaterais para o reconhecimento do Estado Palestino por parte das Nações Unidas, bem como as reclamações que os palestinos pensam em apresentar contra Israel diante da Corte Penal Internacional.

Relações bilaterais com a União Europeia

Independentemente de quem for eleito, será preciso articular relações entre Israel e a União Europeia, seu principal parceiro comercial. A chefe da diplomacia na UE deseja passar a ter um papel mais ativo em relação a uma solução para o conflito palestino-israelense.

O bloco europeu começou a anular as isenções fiscais sobre certos produtos israelenses fabricados nos assentamentos de judeus ultraortodoxos na Cisjordânia, mas já anunciou que pretende mencionar a origem dos demais. Tais medidas vão demorar, dada a complexidade, mas também em função da iminência das eleições em Israel.

"Os europeus não querem dar a impressão de que estão interferindo no processo eleitoral", explica Sharon Padro, diretor do Centro de Estudos da Política Europeia da Universidade Ben Gurion, em Beer-Sheva. "As relações com a Europa serão reforçadas com uma mudança no governo".

"Se o próximo governo for composto de elementos que a Europa considera mais moderados, veremos menos precipitação por parte dos europeus [neste assunto] e mais vontade de manter contato com o [novo] governo".

Outro aspecto delicado para o próximo governo continua a ser a questão palestina

O assunto mais espinhoso será, sem dúvida, as reuniões de paz com os palestinos, que fracassaram em abril de 2014.

"Pouco importa o nome do próximo chefe de governo, ele terá de aguentar a pressão da comunidade internacional para retomar as negociações", opina Dore Gold, ex-embaixador de Israel nas Nações Unidas. Ele foi conselheiro de Netanyahu sobre política exterior até o último mês de janeiro.

Enquanto Herzog indicou que a União Sionista tentaria retomar o processo de paz com a ajuda de aliados moderados na região, Netanyahu já deixou claro que não é o momento propício fazer concessões territoriais.

Segundo Palmor, mesmo que não sejam reiniciadas as negociações, Israel terá de se esforçar para reduzir as tensões com os palestinos.

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