Ministro belga pede recenseamento de 'barbudos' para vigiar jihadismo

Os funcionários da Justiça foram convidados a identificar qualquer "mudança de atitude", tais como "não querer apertar as mãos de uma mulher, se tornar barbudo ou se vestir de acordo com os critérios do Alcorão

iG Minas Gerais | AFP |

Um ministro belga, Richard Madrane, pediu aos oficiais de Justiça para registrar evidências de radicalização islâmica, apontando novos "barbudos", o que provocou críticas de um sindicato.

Os cerca de 700 funcionários das "Casas de Justiça" da parte de língua francesa do país, que são responsáveis ​​pelo controle de pessoas em liberdade condicional ou que realizam serviços à comunidade, receberam esta semana um e-mail em que são convidados a realizar um inventário "preciso" dos indivíduos que "têm mostrado sinais de radicalização".

O e-mail foi enviado pelo gabinete de Rachid Madrane, ministro de Ajuda à Juventude e das Casas de Justiça em Valônia e Bruxelas, dois meses após o desmantelamento de uma célula jihadista que preparava ataques na Bélgica.

Os funcionários foram convidados a identificar, no prazo de três dias, qualquer "mudança de atitude", tais como "não querer apertar as mãos de uma mulher, se tornar barbudo ou se vestir de acordo com os critérios do Alcorão, o abandono de atividades divertidas que a pessoa gostava de fazer antes, etc.".

"Não é o papel dos assistentes judiciais. Eles não vão se transformar em informantes da polícia", respondeu nesta sexta-feira um funcionário do sindicato cristão CSC, Xavier Lorent, lamentando que os critérios sejam "subjetivo" e que "visam apenas uma espécie de radicalismo",

Não são os sinais físicos que "determinam a radicalização de uma pessoa", mas aqueles relacionados ao comportamento, como "o isolamento de uma pessoa em relação ao seu meio ambiente", reconheceu o ministro após a crítica, assumindo "uma pequena gafe" por parte de sua administração.

A Bélgica é um dos países mais afetados na Europa pela partida de combatentes à Síria. Entre 300 e 400 belgas deixaram o país nos últimos anos.

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