HR-V tem potencial para se firmar no segmento

Dirigibilidade acima da média e bom espaço interno agradam no SUV da Honda

iG Minas Gerais | Felipe Boutros |

Honda HR-V
Honda/Divulgação
Honda HR-V

Desde que as primeiras notícias sobre o lançamento de um utilitário-esportivo (SUV) da Honda apareceram, mesmo sem muitos detalhes sobre como ele seria, já foi classificado como o anti-EcoSport, modelo da Ford pioneiro no segmento no Brasil.

Mas agora, durante o seu lançamento, o HR-V, como foi batizado para o nosso mercado, executivos da marca japonesa excluem o modelo da Ford como principal rival do seu SUV, já que, de acordo com eles, estão oferecendo um produto superior. A expectativa, hoje, é que o concorrente a ser batido seja o Jeep Renegade, que será lançado na última semana deste mês.

E essa confiança se traduz na tabela de preços: eles variam de R$ 69,9 mil a R$ 88,7 mil e são superiores aos do EcoSport, que vão de R$ 66,2 mil a R$ 82,1 mil. E enquanto o modelo da Ford é oferecido em três versões de acabamento, duas de motorização (1.6 e 2.0) e com possibilidade de tração integral, o novato da Honda tem um número mais restrito de combinações. Todas as configurações têm o mesmo motor 1.8 e tração dianteira. O câmbio manual de seis marchas só é oferecido no HR-V EX; todos os outros têm transmissão continuamente variável (CVT).

O modelo da Honda é ligeiramente maior que o rival da Ford, com 4,29 m de comprimento, 1,77 m de largura, 1,58 m de altura e 2,61 m de distância entre eixos. E, embora seja vendido como um SUV, o HR-V está mais para um crossover, já que alia a maior altura em relação ao solo de um utilitário-esportivo com um desenho que foge do visual “jipinho” e a dirigibilidade de um sedã ou hatch. E a força desse conjunto é que a Honda acredita que vai ser o grande argumento de vendas da novidade.

O design aposta em linhas mais esportivas do que robustas e traz, na frente, a identidade visual que a Honda já exibe no City e no Fit, modelo do qual a plataforma do HR-V é derivada. E esse “detalhe” garante outra virtude do modelo: o bom aproveitamento do espaço interno. Nas laterais, chamam a atenção as portas traseiras com maçanetas embutidas, que transmitem sensação de esportividade.

Preços e pacotes

O Honda HR-V vem bem equipado de série desde a versão básica LX (R$ 69,9 mil com câmbio manual e R$ 75,4 com transmissão CVT), que entrega itens como freio de estacionamento elétrico, volante multifuncional, controle eletrônico de estabilidade e tração e direção elétrica com sistema que endurece ou suaviza o peso para “induzir” o movimento do motorista, em caso de perda de controle.

A intermediária EX (R$ 80,4 mil) incorpora itens como volante multifuncional, câmera de ré, farol de neblina, retrovisores elétricos na cor do veículo com repetidores de seta, rack de teto, volante com acabamento em couro, visor LCD de cinco polegadas e cruise control.

A configuração top de linha EXL (88,7 mil) tem como destaque em seu pacote de série itens como bancos com revestimento em couro e o ar-condicionado digital com comandos sensíveis ao toque. Ela ainda traz sistema multimídia que permite o espelhamento de um dispositivo móvel via HDMI no monitor LCD de sete polegadas. Assim como no Civic, há GPS integrado contendo as informações de trânsito das principais capitais do país – Belo Horizonte está incluída. Há ainda airbags laterais, maçanetas cromadas, rebatimento elétrico dos retrovisores e função tilt down no retrovisor do lado do passageiro. Essa configuração também é a única na qual o câmbio CVT pode ser operado sequencialmente por meio de aletas atrás do volante. Neste caso, a transmissão simula sete marchas.

Impressões

Durante o lançamento do Honda HR-V, fizemos o test drive na versão top de linha EXL. Inicialmente, o modelo já causa boa impressão pelo visual. O japonês deixa clara a sua preferência pelo ambiente urbano, com linhas mais fluidas e esportivas.

A boa impressão se estende ao interior. O console central é alto, e estão lá nichos para deixar o smartphone, a garrafinha d’água e outras miudezas. Ele é vazado, e a parte inferior abriga a tomada 12 V e duas entradas para mídias, uma USB e outra HDMI. O resto segue o padrão da marca: painel de instrumentos com leitura fácil e boa ergonomia. Mas, pera lá, nem tudo é perfeição: em um carro de quase R$ 90 mil, faltam bancos com ajustes elétricos e o retrovisor não é do tipo eletrocômico, assim como os faróis não têm opção de acendimento automático.

Rodando, outras virtudes aparecem. O motor 1.8, que entrega 139 cv a 6.300 rpm e torque de 17,44 kgfm a 5.000 rpm com a utilização de etanol, – quando abastecido com gasolina, são 140 cv a 6.500 rpm e 17,34 kgfm a 4.800 rpm – trabalha em sintonia fina com a transmissão CVT que aumenta o conforto a bordo com trocas suaves, praticamente imperceptíveis. Não é um foguete, e nem é essa proposta, mas é firme nas arrancadas.

O HR-V também agrada pelo comportamento dinâmico, de um sedã, como o Civic. A direção com assistência elétrica tem o peso certo, e a estabilidade merece ser destacada. A suspensão é independente do tipo McPherson na frente e semi-independente por eixo de torção atrás. No asfalto irregular, o conforto se mantém e pouca vibração passa para o interior, graças também aos pneus 215/55 R17.

É, parece que a vida não vai ser fácil para o EcoSport a partir deste ano.

O jornalista viajou a convite da Honda

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