A brasilidade d’A Fase Rosa

iG Minas Gerais | Bárbara França |

Quarteto - Rodrigo, Rafael, Fernando e Thales: musicalidade leve, diversa e colorida
TIAGO NUNES/DIVULGAÇÃO
Quarteto - Rodrigo, Rafael, Fernando e Thales: musicalidade leve, diversa e colorida

Quando Thales Silva, vocalista e guitarrista da banda mineira A Fase Rosa, ouvia o disco “1973” de João Gilberto, sentiu uma gostosa leveza. A voz suave do pioneiro da Bossa Nova e a delicadeza da batida de seu violão fizeram transbordar a sensação de tal forma que logo se tornou não só título de faixa como nome do mais recente disco da banda mineira, que se apresenta neste domingo (15) no Festival Permanente de Bandas, que acontece no Oi Futuro. “Leveza”, lançado no fim do ano passado, traz em si um jeito mais descontraído e sereno de fazer música, mas contraria quem associa a palavra simplesmente à “falta de peso”. “O que eu acho desse aspecto leve que se tem falado sobre nosso som é reflexo de uma busca por uma forma mais simples de traduzir nossas ideias. Nesse sentido, o álbum é realmente mais leve. Agora, do ponto de vista da sonoridade como um todo, o ‘Leveza’ tem muito mais pegada que o ‘Homens Lentos’”, comenta o guitarrista e também vocalista Rafael José, fazendo referência ao primeiro disco da banda, de 2013. Para ele, as críticas sociais e políticas e a crônica urbana tão características nas letras d’A Fase Rosa continuam tão presentes quanto antes, como em “A Praia”, sobre o movimento Praia da Estação, e em “Paraíba”, uma brincadeira com expressões machistas para falar de feminismo. O que houve de um álbum para o outro, segundo Thales Silva, foi um entendimento maior da brasilidade que constitui sua música. “Mesmo que a gente construa arranjos com uma estética mais do rock, moderna, cheia de efeitos com timbragens bem conectadas com esse rock atual, nos percebemos como uma banda de MPB”, frisa. Mistura Por música popular brasileira, é importante dizer, eles não entendem somente a obra de grandes como Caetano Veloso, Tom Zé, Gilberto Gil e demais que fazem parte do Olimpo do cancioneiro tupiniquim. Eles são, sim, influências incontestáveis. Mas, acostumados a misturar baião, axé, funk carioca, brega, arrocha, samba e rock no mesmo caldeirão, os meninos d’A Fase Rosa querem mesmo é explorar o que há de mais variado e rico na música. “Crescemos aprendendo que pagode, sertanejo e axé são coisas ruins de antemão; que Elis Regina é a maior cantora do Brasil; e que o samba corre em nossas veias assim como somos levados a crer que o Brasil é o país do futebol... Isso é problemático porque muita coisa fica de fora dessas ‘histórias oficiais’”, pontua Rafael.

A Fase Rosa também é formada por Rodrigo Magalhães (baixo e voz) e Fernando “Feijão” Monteiro, que, nesse show, será substituído por Tiago Eiras, da banda Dibigode. A Fase Rosa Oi Futuro (av. Afonso Pena, 4001, Mangabeiras, 3229-2979). Neste domingo (15), às 20h. R$ 15(inteira).

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