Bate debate 13/3/2015

iG Minas Gerais |

O exemplo do vizinho    J A Puppio Empresário   Michelle Bachelet, quando assumiu a presidência do Chile em 2006, encontrou um déficit público no país de € 9 bilhões que representava 7,45% do PIB (www.datosmacro.com/deficit/chile), e, quando saiu, em 2010, esse mesmo déficit chegou a € 599 milhões, ou seja, 0,37% do PIB. Atualmente, o Chile é um dos países mais estáveis e prósperos da América do Sul. Dentro do contexto maior da América Latina, é o melhor em termos de desenvolvimento humano, competitividade, qualidade de vida, estabilidade política, globalização, liberdade econômica e percepção de corrupção, além de índices comparativamente baixos de pobreza.   Por quê? Ao assumir, Bachelet, que voltou novamente pelos próximos quatro anos, fez a lição de casa. Só manteve as províncias autossuficientes, as que produziam mais do que gastavam. Às demais, deficitárias, deu um prazo de dois anos para tornarem-se autossustentáveis, e as que não conseguiam pagar as suas contas tornaram-se territórios agregados, perdendo o status de províncias.   Elas passaram a ter um interventor, que tomava conta das províncias, sem deputados e nem senadores. E passaram a ser governadas por quem tem competência para se manter e não onerar o país. Com isso, o déficit público caiu, e o Chile é o único país latino-americano, hoje, que cresce acima de 5% ao ano.   É absolutamente insano se pensar que o governo possa fazer uma reforma tributária sem fazer a necessária reforma política. Enquanto a conta a pagar do governo for maior do que a conta a receber não há como abrir mão dos impostos. Então, a única saída é gastar menos, promovendo um enxugamento da máquina estatal.   Se conseguirmos essa reforma, podemos pensar que começamos a combater o câncer pela raiz. Nas nossas empresas, nos nossos lares, o que acontece com quem gasta mais do que arrecada? Simplesmente quebramos, não há empréstimo que resolva longos períodos de inadequação entre receita e despesa.   No caso da iniciativa privada, a receita tem que bater com a despesa. Não tem acordo. O governo federal tem que investir na indústria, porque uma indústria forte e competitiva, a qual não tenha que enfrentar a mais alta taxa de impostos do mundo, um câmbio perverso e a maior carga tributária do planeta, pode gerar empregos. É preciso começar a inverter o rumo da economia, promovendo o crescimento do país e de seu povo.   * J. A. Puppio é empresário, diretor presidente da Air Safety e autor do livro “Impossível é o que Não se Tentou”.

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