STJ abre inquéritos contra Cabral, Pezão e Tião Viana

Procuradoria encaminhou os pedidos, que foram acatados

iG Minas Gerais |

Dinheiro a Viana seria da cota do PP no esquema
Marcello Casal Jr./ABr
Dinheiro a Viana seria da cota do PP no esquema

BRASÍLIA. O Superior Tribunal de Justiça (STJ) instaurou na noite desta quinta 12, dois inquéritos para investigar suposta participação dos governadores do Rio, Luiz Fernando Pezão (PMDB), do Acre, Tião Viana (PT), e do ex-governador fluminense Sérgio Cabral (PMDB) em esquema de corrupção na Petrobrás. Os pedidos foram encaminhados pela vice-procuradora geral da República, Ela Wiecko, ao ministro Luis Felipe Salomão, relator da operação Lava Jato no STJ.

Salomão acatou os pedidos de abertura dos inquéritos e de diligências contra os investigados. O ministro também decidiu retirar o sigilo das peças, a exemplo do que fez o relator da Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, Teori Zavascki, nos pedidos de inquérito enviados a essa Corte na semana passada.

Em um dos inquéritos serão investigados Cabral, Pezão e Regis Fichtner, ex-chefe da Casa Civil do Rio, por corrupção passiva e lavagem de dinheiro. Segundo a Procuradoria, Cabral e Pezão agiram juntos, com colaboração do ex-secretário, para receber R$ 30 milhões em 2010 de empresas contratadas pela Petrobrás para a construção do Comperj. O dinheiro teria sido destinado para a campanha dos peemedebistas – na época, Cabral disputava a reeleição como governador e Pezão, como vice.

A procuradoria relata que o recebimento da propina foi feito por meio do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. No pedido de inquérito, a Procuradoria pediu que sejam ouvidos Cabral e Fichtner e executivos de empresas citadas pelo ex-diretor. A procuradora aponta que o relato de Costa é corroborado pelo doleiro Alberto Youssef, que relatou formas utilizadas para que o dinheiro chegasse a políticos. Apesar de Cabral e Fichtner não terem direito a foro especial no STJ, os dois também serão investigados no tribunal pela conexão de seus atos com os de Pezão – como governador, ele só pode ser julgado por esse tribunal.

No outro pedido de inquérito, Tião Viana é suspeito de receber R$ 300 mil em propina da Petrobrás como auxílio para se eleger ao governo do Acre, em 2010. Segundo a Procuradoria, a solicitação do dinheiro foi feita a Youssef e autorizada por Costa.

“Carregador de malas” é indiciado Brasília. A Polícia Federal (PF) indiciou Mário Frederico de Mendonça Góes – acusado de ser um dos 11 operadores de propina na Diretoria de Serviços da Petrobras e carregador de malas de dinheiro para o ex-diretor Renato Duque – por corrupção ativa, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. Mário Góes, como é conhecido, foi um dos principais alvos da nona fase da Lava Jato. Ele está preso desde o dia 8 de fevereiro na Superintendência da PF, em Curitiba, e nega irregularidades em sua defesa.

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