‘Esgotamos todos os recursos’

Dilma admitiu, nesta quinta, que todas as políticas de estímulo à economia sacrificaram as contas públicas

iG Minas Gerais |

Escolhidos. 
Trinta operários do Porto do Rio foram selecionados para tirar selfies com a presidente
Roberto Stuckert Filho/PR
Escolhidos. Trinta operários do Porto do Rio foram selecionados para tirar selfies com a presidente

RIO DE JANEIRO. A presidente Dilma Rousseff admitiu, na manhã desta quinta, no Porto do Rio, que as políticas de estímulo à economia sacrificaram as contas públicas. De acordo com a presidente, essa política se baseou em desonerações fiscais e oferta de crédito. “Nós esgotamos todos os nossos recursos de combater a crise que começou em 2009 e que nós combatemos contra todas as características que são próprias da crise internacional desse período. Usamos como instrumento tanto uma política de crédito bastante subsidiada, como também uma política de desonerações fiscais. Trouxemos para as contas públicas e o orçamento fiscal da União os problemas que de outra forma recairiam sobre a sociedade, os trabalhadores”.

A fórmula, segundo a presidente, evitou “trazer para o Brasil desemprego e baixa de crescimento estruturais e permanentes”.

Dilma Rousseff disse ser uma obsessão pessoal manter o crescimento do país. “Farei de tudo para que o Brasil esteja no ritmo de crescimento. Conto com todo mundo para que isso aconteça: os governadores, os prefeitos, os empresários e com a imprensa. Não tem como um país crescer sem todos nós pegando junto”.

Dilma Rousseff esteve com o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, o governador Luiz Fernando Pezão e vários políticos e empresários na inauguração da ampliação do Porto do Rio. Apesar do temor da segurança presidencial de manifestações contra a presidente, nenhum ato ocorreu.

A escolha do local garantiu a tranquilidade da comitiva. O local fica embaixo da ponte Rio-Niterói, numa área em que o acesso é controlado. Apenas 250 convidados, de acordo com a organização, tiveram acesso à área do evento. Desses, 50 eram funcionários. Apenas 30 foram selecionados para selfies com a presidente. Após as fotos, eles foram encaminhados ao local para receber os convidados.

Do lado de fora, barcos da Marinha e do Exército cuidavam da segurança, enquanto homens do esquadrão antibombas da Polícia Civil vistoriavam veículos, inclusive os poucos carros de imprensa que tiveram acesso à área.

manifestações. Dilma disse não temer o acirramento dos ânimos nas manifestações previstas para o próximo domingo. “Eu sou de uma época – sempre repito isso – em que a gente não podia manifestar. Quem manifestasse era preso. O Brasil se fechou e caiu numa ditadura. A gente hoje tem que olhar para a manifestação com absoluta tranquilidade”, disse a presidente.

Segundo Dilma, o que não se pode permitir são atos de violência. “Nós não podemos aceitar violência contra pessoas ou patrimônio. Vocês (a imprensa) foram vítimas disso em um momento”, disse ela se lembrando a morte do cinegrafista Santiago Andrade, em fevereiro de 2014.

Sobre se adversários políticos estariam por trás dos atos, a presidente disse que o trabalho de descobrir é da imprensa investigativa. Imagens da campanha do senador Aécio Neves (PSDB-MG) à Presidência no ano passado ilustram vídeos com chamados às manifestações. Colaboradores da área de propaganda do tucano constam entre os difusores do material. Os tucanos apoiam os protestos, mas dizem que o impeachment não está na agenda do partido.

Saiba mais

Oração. O motorista Osvaldo de Lima Jorge fez uma oração diante da presidente Dilma. “Ela precisa de oração, como todos os brasileiros. Rezei para que tenhamos um Brasil abençoado e por todos os homens de caráter que queiram se unir a ela”, disse o operário. “Foi uma oração muito bonita, espontânea, para todos nós”, comentou Dilma.

Lava Jato. Antes de voltar a Brasília, Dilma reuniu-se por duas horas com o governador Luiz Fernando Pezão (PMDB). Ela perguntou sobre a investigação da operação Lava Jato, e Pezão afirmou estar tranquilo, à espera da notificação do STJ.

Cancelamento

BH. Dilma Rousseff cancelou sua visita hoje a Belo Horizonte. A informação foi confirmada pela assessoria da Presidência. A assessoria, no entanto, não informou o motivo do cancelamento.

Post provoca discussão entre padres São Paulo. O padre Michelino Roberto, diretor do jornal católico “O São Paulo”, da Arquidiocese de São Paulo, defendeu no Facebook o impeachment da presidente Dilma Rousseff. Numa mensagem pelo Dia Internacional da Mulher, ele escreveu: “Parabéns às que abraçaram a maternidade com amor. Meus sentimentos e orações à mulher egoísta e, por fim, fora, Dilma”. O post provocou um debate com outro padre, Antonio Aparecido Pereira, que também já dirigiu o jornal. “Meu Deus, padre Michelino! Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém. Dizer ‘fora’ para alguém eleito democraticamente é perigoso. Confesso que fiquei preocupado”.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave