UPP será inspiração em Betim

Prefeitura defende presença ostensiva de policiais nas ruas para “retomada do território”

iG Minas Gerais | Luciene Câmara |

Jardim Teresópolis. O tiroteio em escola ocorreu no fim da manhã
talitha marinho
Jardim Teresópolis. O tiroteio em escola ocorreu no fim da manhã

Se prender traficante resolvesse o problema da violência, Betim, na região metropolitana, não estaria passando hoje por um surto de homicídios. A prisão de duas das principais lideranças do tráfico no Jardim Teresópolis, conhecidos como Rodriguinho e Gleissinho, no fim de 2014, foi o estopim para o atual acirramento da disputa por poder entre gangues e o aumento do número de assassinatos. A aposta agora da prefeitura é adotar um modelo de policiamento ostensivo, nos moldes das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) cariocas.

“O convencional não está dando certo. Só prender jovens traficantes não diminui homicídios. Precisamos ser mais inteligentes para lidar com o problema”, afirma o secretário municipal de Segurança Pública, Luis Flávio Sapori. Segundo ele, a ideia é manter policiais circulando de carro e a pé pelo bairro, 24 horas por dia. Sapori defende a presença ostensiva do poder público nas ruas para “recuperar o território” das mãos dos criminosos como a saída para a situação vivida hoje na cidade. A intenção é que policiais militares tenham bases fixas no bairro, semelhantes as das UPPs. Para colocar a ideia em prática, no entanto, é preciso apoio do Estado, uma vez que a cidade conta hoje com apenas 550 policiais militares, um para cada 900 moradores. O secretário aponta também deficiências na Polícia Civil, que tem dois delegados de homicídios para mais de 200 casos por ano no município. Moradores reclamam ainda de que os policiais que já trabalham na região são pouco atuantes. “Das cidades de Minas com mais de 200 mil habitantes, temos o menor contingente. É um militar para cada 900 habitantes, o que agrava o problema do tráfico de drogas”, garante Sapori, frisando que já fez o pedido ao secretário de Estado de Defesa Social, Bernardo Santana, e aguarda um retorno. Estado. Procurada pela reportagem, a Secretaria de Estado de Defesa Social informou, em nota, que houve um “pedido de socorro” do secretário municipal para o caso específico do homicídio de ontem no Jardim Teresópolis. Ainda segundo o comunicado, o secretário (Bernardo Santana) ordenou que as polícias Militar e Civil enviassem ao local equipes do Batalhão de Rondas Táticas Metropolitanas (Rotam) e da Divisão Especializada de Operações Especiais (Deoesp) para ajudar no caso. Prevenção. Além do policiamento ostensivo, a Prefeitura de Betim defende a manutenção de programas de prevenção, como o Fica Vivo! (do governo estadual) e o Árvore da Vida (da Fiat). A intenção é oferecer uma alternativa aos jovens, que não a criminalidade, com oportunidades no mercado de trabalho. “Já existem boas iniciativas. O que precisamos é oferecer emprego em grande escala para diminuir o recrutamento de jovens pelo tráfico”, diz Sapori. As ações contra a violência caberão ao Gabinete de Gestão Integrada Municipal, que reúne polícias Civil e Militar, Guarda Municipal, Ministério Público, Justiça e sistema prisional.

Polícia Militar Resposta. Responsável pela comunicação da PM, o major Gilmar Luciano não foi encontrado para confirmar se Betim é a cidade com menor contingente de militares entre as grandes de Minas. Comandante de Betim, Edmilson Sabino não soube informar.

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