Casos de dengue sobem 162%

Há risco de epidemia em 340 cidades do Brasil; outras 887 estão em alerta, inclusive Belo Horizonte

iG Minas Gerais | Joana Suarez |

Em todo o Brasil, 340 municípios estão em situação de risco para a ocorrência de epidemias de dengue, e 877 estão em alerta – incluindo Belo Horizonte. Os dados constam no novo mapa da doença, que inclui informações do Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (Liraa) e foi divulgado nesta quinta pelo Ministério da Saúde. Até o último sábado, foram registrados 224,1 mil casos no país – 162% a mais que no mesmo período de 2014, quando houve 85,4 mil ocorrências.

Os dados (veja no quadro ao lado) servem de orientação para as ações de controle da dengue, que há quase 30 anos é motivo de preocupação no país, e da febre chikungunya, também transmitida pelo mosquito. Os municípios classificados no Liraa como de risco apresentam larvas do mosquito em mais de 3,9% dos imóveis pesquisados.

Cuiabá (MT) é a única capital em situação de risco, com índice de 6,6%. Belo Horizonte – assim como outras 887 cidades – se encontra em estado de alerta, com índice de 1,1% de infestação nos imóveis, apenas 0,1% acima do que é considerado satisfatório. No último levantamento da Secretaria Municipal de Saúde da capital, divulgado em 20 de fevereiro, Belo Horizonte havia registrado 103 casos confirmados de dengue. A região com o maior número é a Oeste, com 23 confirmações da doença.

Em algumas cidades, como em Itapuã do Oeste (RO), o índice de infestação registrado no país foi de 18,9%. Em Itabuna (BA), foi de 17,8%.

Neste ano, em Minas Gerais, foram registrados 2.862 casos da doença até o último dia 6. Novo balanço deve ser divulgado nesta sexta. Os registros têm caído – em fevereiro de 2014, foram 7.607, 86% menos que os 1.042 do mês em 2015.

O Liraa também aponta o perfil dos criadouros do Aedes aegypti. Nas regiões Sul, Norte e Centro-Oeste do país, cerca de 50% dos focos está no lixo, conforme o ministério. No Nordeste, o armazenamento de água é a principal fonte de preocupação, com 76,5% dos criadouros. No Sudeste, a maioria dos focos está dentro das casas – 52,6%.

“Tão importante quanto fazer o Liraa é os municípios seguirem as orientações para corrigir os problemas”, afirmou o ministro da Saúde, Arthur Chioro. Ele destacou que a população precisa se envolver nas medidas de prevenção. “São iniciativas simples, como tampar caixas-d’água, retirar pratos de vasos de plantas, limpar calhas e lavar vasilha de água de animais”, disse.

Menos mortes. Embora os casos de dengue tenham aumentado neste início de ano, a quantidade de mortes caiu 32%, passando de 76 em 2014, para 52, em 2015. Também houve redução de 9,7% entre os casos graves – de 113 no ano passado para 102 neste ano.

A primeira morte por dengue em Minas Gerais neste ano foi confirmada na última sexta-feira. Trata-se de um homem, de 64 anos, morador de Iguatama, no Centro-Oeste.

Saiba mais

Chikunhunya. Neste ano, até 7 de março, o Ministério da Saúde registrou 1.049 confirmações de casos autóctones (transmitidos no Brasil) de febre chikungunya – 590 no Amapá e 459 na Bahia. Entre o ano passado e 2015, foram confirmados cem casos importados da doença, em 14 Estados, entre eles Minas Gerais. A febre é transmitida pelo Aedes aegypti, mesmo mosquito vetor da dengue.

Mais municípios. Neste ano, 1.844 cidades brasileiras realizaram o Levantamento Rápido de Índices para Aedes aegypti (Liraa), 26,38% a mais que no ano passado, segundo o Ministério da Saúde.

Belo Horizonte. Nas duas últimas semanas, o boletim de casos de dengue não foi divulgado pela Secretaria Municipal de Saúde em função de equívocos no sistema de informações de online de notificação. Segundo o órgão, o problema já foi comunicado a Secretaria de Estado de Saúde e a Ministério da Saúde. A divulgação de novo balanço está prevista para esta sexta.

Recursos. O Ministério da Saúde informou que enviou recurso adicional de R$ 150 milhões a todos os Estados e cidades do país, para ações de combate aos mosquitos transmissores da dengue e da chikungunya.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave