Contagenses dizem não à violência

Cruzes foram espalhadas pela escadaria da Igreja São Gonçalo como protesto às agressões contra as mulheres

iG Minas Gerais |

Campanha. 
Cruzes foram espalhadas na escadaria da Igreja Matriz
Vanessa Trotta
Campanha. Cruzes foram espalhadas na escadaria da Igreja Matriz

Em um ato simbólico contra a violência à mulher mais de 2 mil cruzes com nomes de Maria foram espalhadas pela escadaria da Igreja Matriz de São Gonçalo, no Centro de Contagem, na última segunda-feira (9).

Com o tema “Somos todas Maria”, a campanha em defesa da mulher, foi promovida pelas entidades não governamentais Associação dos Moradores do Novo Progresso II (Amonp), Núcleo de Incentivo à Cultura (NIC) e Ação da Mulher da Trabalhista (AMT). Além de comemorar o Dia Internacional da Mulher, a iniciativa alerta as vítimas de agressão para a denúncia, e ao mesmo tempo, conscientiza de que, nestes casos, a dor da violência não pode ser abafada pelo silêncio, que pode significar em morte.

As cruzes com nome de Maria representam as mulheres que sofreram agressões, como a própria Maria da Penha, ou foram mortas de forma violenta. O ato tem o objetivo de conscientizar para os direitos propostos pela Lei Maria da Penha, que prevê uma rede de assistência à mulher vítima de violência doméstica e familiar.

De acordo com a presidente da AMT Contagem, Mônica Messias, afirmar que Somos todas Maria tem um significado único de exemplo de luta pelos nossos direitos, de força, de coragem. “Dessa maneira, precisamos nos unir e nos conscientizar que não podemos nos calar diante da violência. Nenhuma mulher merece ser agredida, assediada, estuprada, discriminada, ganhar menos. O Dia Internacional das Mulheres é para ser lembrado pelo nosso movimento pela igualdade de direitos e não somente por sermos do sexo feminino”, afirmou.

A metalúrgica Leda Márcia estava passando pelo local e ficou curiosa ao ver as cruzes com o nome de Maria. Ao conhecer a campanha ficou contente com a homenagem. “Achei muito interessante a campanha e realmente somos todas Maria. Eu não vivo mais situação de violência doméstica porque tive coragem de me separar, mas as mulheres que vivem devem ter amor próprio e não podem se calar”, revelou.

O professor Ronaldo Julião ressalta que diante de toda história da humanidade, só recentemente os direitos das mulheres começaram a ser reconhecidos. “Infelizmente, essas campanhas ainda são necessárias, precisamos de mulheres que se dedicam em prol daquelas que sofrem abusos e violência. Sonho com o dia em que não haverá mais desigualdade e as mulheres estejam protegidas e reconhecidas pelo seu valor como ser humano, independente de gênero”.

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave