Um artista com paixão e inspiração no samba de raiz

Edinho Cipó-Cravo, morador de Contagem há mais de 30 anos, é percussionista e vocalista do grupo Roda Moinho, que existe há 12 anos resgata o trabalho do cancioneiro popular

iG Minas Gerais |

Edinho Cipó-Cravo. 
Músico de 56 anos, morador de Contagem, é um apaixonado pelo samba de raiz
Arquivo pessoal
Edinho Cipó-Cravo. Músico de 56 anos, morador de Contagem, é um apaixonado pelo samba de raiz

Um artista que vive e respira o samba em Contagem. Edson Pereira, o Edinho Cipó-Cravo, que há mais de 30 anos adotou a cidade como lar, é líder do grupo Roda Moinho e um dos principais nomes do samba de raiz no município.

Aos 56 anos, Edinho afirma que sua carreira e sua vivência com a música se confundem com sua própria idade. Nascido e criado no bairro Renascença, um dos redutos do samba em Belo Horizonte, ele conta que a influência surgiu desse contato diário com a cultura musical. “Meus padrinhos eram presidentes das escolas de samba Unidos do Guarani e Inconfidência Mineira, duas das mais tradicionais do Carnaval da época, e fui criado nesse meio, no berço da música”, relata.

Atualmente aposentado, Edinho, além de se dedicar ao samba, trabalhou por 35 anos como programador de serviços telefônicos. Profissionalmente, ele se dedica à música desde 1995. Há 12 anos ele é vocalista e percussionista do grupo Roda Moinho, que além dele tem como integrantes Tião do Sax, Tuim do Cavaco e Marcelão 7 Cordas. De acordo com Edinho, a proposta do grupo é resgatar o cancioneiro popular brasileiro, que para ele é pouco abordado pela mídia.

Para o músico, apesar do seu talento para compor e cantar, ele não sabe bem de onde vem sua inspiração para realizar esse trabalho. Ele conta que sempre ouviu todos os tipos de música e inclusive já tocou em grupos de forró, pagode e música sertaneja, se inspira e é grande admirador de nomes icônicos da história da música popular brasileira. “Admiro muito Cartola e Chico Buarque, que para mim não são somente músicos, mas poetas. E um dos meus focos também é divulgar a poesia”, afirma.

Apesar de ter construído todo o seu talento para a música como autodidata, Edinho conta que teve uma rica experiência no Coral Comunicanto, de Belo Horizonte, do qual fez parte durante 15 anos. “Lá, tive técnicas vocais e aprimoramentos que facilitaram e me possibilitaram desenvolver o trabalho de hoje no Roda Moinho”, diz.

Como amante do samba, ele considera o ritmo o autêntico produto nacional. E, para ele, Minas Gerais tem grande destaque no país. “Alguns dos maiores sambistas brasileiros são mineiros. Clara Nunes, João Bosco, Ary Barroso e Ataulfo Alves, todos saíram daqui”, diz.

Além disso, ele relata que, apesar de hoje não se incomodar muito, ainda sente desconforto quando confundem o samba com o pagode, algo bastante comum, e ajuda a diferenciar os ritmos. “Todo grupo de pagode tem muita gente, pois necessita de muitos instrumentos e percussão. O estilo foi criado pelo Fundo de Quintal, que introduziu o banjo, o tantã e o repique de mão e criou um pagode’. Além disso, no samba, que é mais arranjado e poético, se presta mais atenção na letra, já no pagode se atenta mais ao ritmo”, afirma.

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