MP quer que prefeitura reestruture unidades

Em recomendação, promotora justifica que “emergência implica em risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, tratamento médico imediato”

iG Minas Gerais | Dayse Resende |

Caos. 
Na terça (10), alguns pacientes que foram à UAI Sete esperaram atendimento por quase 10 horas
Caos. Na terça (10), alguns pacientes que foram à UAI Sete esperaram atendimento por quase 10 horas

 

A promotora de Saúde de Betim, Giovanna Carone Ferreira, recomendou que a Secretaria Municipal de Saúde adote as providências necessárias para reestruturar as unidades de saúde do município, visando garantir o atendimento adequado aos pacientes nas situações de urgência e emergência.    A recomendação foi publicada pela prefeitura no “Órgão Oficial” de sábado (7), um dia depois que médicos cruzaram os braços por 24 horas na Unidade de Atendimento Imediato (UAI) do Alterosas com o objetivo de reivindicar melhores condições de trabalho.    No documento, Giovanna destaca que a presidente do Sindicato dos Médicos de Minas Gerais (Sinmed-MG), Amélia Pessôa, encaminhou ofício para a promotoria sobre a paralisação, e que a “situação clínica de emergência implica em risco iminente de vida ou sofrimento intenso, exigindo, portanto, tratamento médico imediato”.    A promotora destaca, ainda, que “a demora ou recusa no atendimento pode acarretar a prisão em flagrante e a responsibilização criminal dos trabalhadores da saúde, médicos plantonista, e diretores das unidades por omissão de socorro, crime de lesão corporal ou, ainda, crime de homicídio”.   Entenda Desde o início deste ano, os médicos de Betim têm se queixado da redução do número de profissionais nas unidades de saúde, impactando diretamente no atendimento. Eles também reclamam da falta de estrutura, de medicamentos e de segurança, além da sobrecarga de trabalho e da dificuldade para transferir pacientes. “Protocolamos uma pauta de reivindicações na prefeitura no dia 20 de fevereiro, e o Executivo só se pronunciou no início de fevereiro, de forma genérica, sobre os anseios da categoria. Isso mostra, mais uma vez, total descaso da gestão com a falta de estrutura da saúde pública no município e com as condições de trabalho dos profissionais, por não ter atendido a nenhuma das solicitações de reunião para andamento das negociações”, informou a assessoria de imprensa do Sinmed-MG, por meio de nota.    Por causa da situação, a direção do sindicato deverá se reunir com médicos e advogados, nesta terça (17), para avaliar as denúncias e traçar um pacote de ações que deverão ser desenvolvidas nas próximas semanas, dentre elas, um pedido para que o Conselho Regional de Medicina (CRM) vistorie as unidades de saúde da saúde. “O município não está levando a sério nosso movimento. Por isso, agora tomaremos medidas fundamentadas em questões jurídicas”, ressaltou a assessoria do Sinmed-MG.   Caos Na terça-feira (10), pacientes que foram à UAI Sete de Setembro, no centro, viveram na pele o drama para conseguir uma consulta. “Meu marido chegou à UAI às 8h e até as 17h não tinha sido atendido. Nos sentimos impotentes diante dessa situação. É uma vergonha”, disse Lucineia Pereira, que acompanhava o marido.   Por meio de nota, a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde informou que já vem reestruturando as Unidades de Atendimento Imediato (UAIs) com a compra de novos móveis e materiais, e com a reposição de medicamentos e insumos.    A secretaria ressaltou, ainda, que mantém o número de médicos e profissionais conforme o preconizado pelo Ministério da Saúde, e que realizou, na terça-feira (10), reunião com a Secretaria Municipal de Segurança Pública para tratar da segurança nas unidades. “Foi acordado que a Guarda Municipal irá reforçar o patrulhamento nas UAIs e nas Unidades Básicas de Saúde. Também será feita uma vistoria nas unidades para verificar medidas preventivas, como a instalação de grades e cercamento”, completou.

No Regional, faltam água e até sabão

O caos nas Unidades de Atendimento Imediato (UAIs) de Betim também atinge o Hospital Regional. Segundo denúncias de um servidor, que pediu para não ser identificado por medo de represálias, há cerca de duas semanas faltam álcool e sabão. “O risco de infecções aqui é muito grande, pois não temos como fazer a assepsia adequada das mãos”, disse. 

O funcionário também reclama da falta de material médico hospitalar, além de medicamentos. “Há casos em que os médicos são obrigados a prescrever antibióticos alternativos, pois muitos estão em falta”.    No setor da neonatologia, ele reclama do déficit de equipamentos. “São 14 leitos de UTI neonatal e só há dois monitores para atender todos os bebês. Com isso, as crianças não ficam bem assistidas. Os profissionais não sabem quem deve ser tratado com prioridade”, completou. A assessoria de imprensa da Secretaria Municipal de Saúde informou apenas que o sabão e o álcool já foram repostos. 

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