Dólar encosta em R$ 3,16 e fecha no maior valor em quase 11 anos

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, subiu 1,23%, para R$ 3,159, o maior valor desde 14 de junho de 2004

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

Argentina cria exigências para controlar volume de dólares no país
ADEM KAYA/ARQUIVO STOCKXPERT
Argentina cria exigências para controlar volume de dólares no país

O dólar flertou com o patamar de R$ 3,16 nesta quinta-feira (12) e atingiu o maior valor em quase 11 anos afetado pelo pessimismo com a economia brasileira e por um relatório da Fitch que estimou que a moeda deveria subir para R$ 3,75 para que as exportadoras brasileiras retomassem sua competitividade.

O dólar à vista, referência no mercado financeiro, subiu 1,23%, para R$ 3,159, o maior valor desde 14 de junho de 2004. No mês, a moeda já sobe 10,7%, enquanto no ano o avanço é de 19,3%. O dólar comercial, usado em transações no comércio exterior, avançou 1,02%, a R$ 3,161, o maior patamar desde 14 de junho de 2004. No mês, a divisa se valoriza 10,7%, e no ano a alta é de 18,7%.

O Ibovespa, principal índice do mercado acionário brasileiro, fechou praticamente estável, com leve queda de 0,05%, a 48.880 pontos. Das 68 ações negociadas, 43 subiram, 22 caíram e três fecharam estáveis.

PRESSÃO A moeda foi pressionada por uma preocupação com a economia brasileira, após dados ruins de desemprego e com o relatório do Banco Central que jogou pessimismo ao cenário de inflação.

A taxa média de desemprego do país no trimestre fechado em janeiro fechou em 6,8% -superior ao patamar de 6,5% do trimestre encerrado em dezembro.

Por outro lado, o Banco Central demonstrou pessimismo com a inflação no ano, elevando suas projeções para o aumento da energia elétrica e outros preços administrados.

Mas um dos fatores apontados por analistas foi relatório da agência de classificação de risco Fitch. No documento, a agência estimou que o dólar teria que se fortalecer até R$ 3,75 para levar a competitividade das exportadoras brasileiras aos níveis de 2004.

Segundo a Fitch, muitas empresas continuarão precisando de medidas de proteção para enfrentar a ameaça de importações. Produtoras de celulose como Fibria e Suzano, afirma a Fitch, foram capazes de resistir à pressão sobre os custos na última década devido à rápida taxa de crescimento do pé de eucalipto.

Já o setor de minério de ferro, por outro lado, tem desempenho misto. Segundo a Fitch, a Vale é uma líder global, devido a suas dimensões e à qualidade de seu minério, mas CSN, Usiminas e Gerdau têm dificuldades diante dos baixos preços do minério.

"O dólar estava estacionado entre R$ 3,10 e R$ 3,12 pela manhã, mas o comentário da Fitch causou a valorização da moeda", afirma Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora.

Galhardo lembra ainda que, em outros anos, as altas seguidas da moeda americana levariam o Banco Central a atuar no mercado, o que não tem ocorrido agora. "O investidor, antigamente, via que com as altas constantes o BC entrava no mercado para saber se era demanda pela moeda ou mera especulação. Hoje ele nem alterou seu programa de rolagem de contratos com vencimento em 1º de abril", avalia.

Para Maurício Nakahodo, economista do Banco de Tokyo-Mitsubishi, outro fator que pesou foi a ameaça de estender a política de valorização do salário mínimo, aprovada na última terça-feira (10), para aposentados e pensionistas.

"Se for aprovado, é ruim do ponto de vista do ajuste fiscal, pois pode atrapalhar a meta de superavit primário", ressalta.

Na manhã dessa terça (10), o Banco Central deu sequência ao seu programa de intervenções no mercado de câmbio, negociando contratos de swap cambial (equivalentes a uma venda futura de dólares).

CENÁRIO EXTERNO Durante a manhã desta quinta (12) o dólar chegou a ser cotado a R$ 3,07 após dados sobre as vendas no varejo nos Estados Unidos decepcionarem por causa do clima frio no país.

O Departamento do Comércio informou nesta quinta-feira que as vendas no varejo caíram 0,6% após contração de 0,8% em janeiro. O declínio nas vendas no mês passado foi quase generalizado, sugerindo que o clima frio e com neve que cobriu os EUA na segunda metade de fevereiro pode ter sido um fator.

O dado é um dos observados pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano) na hora de definir sua política monetária. Atualmente, discute-se quando a autoridade monetária americana vai começar a subir sua taxa referencial de juros.

Um aumento dos juros deixa os títulos americanos -considerados de baixo risco e cuja taxa de remuneração acompanha a oscilação do juro básico- mais atraentes aos investidores internacionais, que preferem aplicar seus dólares lá a levar os recursos para países de maior risco -como emergentes, incluindo o Brasil.

Das 24 principais divisas americanas, um total de 17 se apreciaram em relação ao dólar. O real sofreu a maior desvalorização do dia.

BOLSA A Bolsa, após ensaiar sua segunda alta na semana, cedeu e encerrou o dia perto da estabilidade. O volume financeiro no pregão foi de R$ 6,6 bilhões, em linha com o giro médio diário no ano.

A principal pressão sobre o índice foram as ações da Petrobras, que chegaram a subir mais de 3%, mas fecharam em baixa. Os papéis preferenciais -mais negociados e sem direito a voto- da petrolífera caíram 3,30%, para R$ 8,50. As ações ordinárias, com direito a voto, perderam 2,24%, para R$ 8,28.

"Há notícias de que o ministro Joaquim Levy não vai autorizar uma emissão de títulos que a empresa faria lastreados no crédito de cerca de R$ 9 bilhões que a Petrobras tem junto à União e à Eletrobras", afirma André Moraes, analista da corretora Rico.

Na ponta positiva do Ibovespa, as ações da CSN subiram 2,88%, a R$ 5,35, após a empresa registrar lucro líquido de cerca de R$ 67 milhões no quarto trimestre, revertendo resultados negativos sofridos nos três meses imediatamente anteriores e no mesmo período de 2013.

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