Poucas chuvas nos próximos três meses reacende alerta do racionamento

Previsão para a nova estação, que terá início às 19h45 do dia 20 de março, foi feita nesta quinta-feira (12) pelo Instituto Climatempo

iG Minas Gerais | JOSÉ VÍTOR CAMILO |

CLIMATEMPO/DIVULGAÇÃO
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As previsões para os meses de abril, maio e junho de 2015, quando o outono estará vigente, apontam que deverá chover na média (mais baixa que os meses anteriores) ou até mesmo abaixo do esperado na região Sudeste do país, deixando ainda mais evidente a necessidade adoção de um racionamento. A previsão foi feita nesta quinta-feira (12) durante coletiva de imprensa on line feita pelo Instituto Climatempo. A estação terá início às 19h45 do próximo dia 20 de março.

No início do mês, o governador Fernando Pimentel já havia afirmado que se a população não economizar e reduzir o consumo, a região metropolitana de Belo Horizonte poderá ficar sem água dentro de três ou quatro meses. Ele também confirmou que o Estado estudava a adoção de uma sobretaxa para quem consumir água acima da média do ano passado.

De acordo com o meteorologista Alexandre Nascimento, o outono é uma estação que é marcada pela transição entre o período chuvoso e o período seco, principalmente nas regiões Sudeste, Centro-Oeste, na maior parte do Nordeste e também no Norte do país. "No Sul não tem muito esta questão de períodos secos e úmidos, já que durante o índice pluviométrico aumenta nessa região", explicou.

Diante da preocupação gerada por um mês de janeiro com baixa incidência de chuvas, todos se perguntam se ainda deverá chover pelo menos no início do outono. "É possível que em abril chova na região Sudeste dentro da média ou pouco abaixo dela. A questão é que passa de uma média de 200 mm em março para 100 mm em abril, o que não é muita coisa", argumenta. No Sudeste a expectativa é que chova 50 a 100 mm em abril. Segundo ele, essa possibilidade pode ser observada pelas condições oceânicas.

"A região do pacífico equatorial está se resfriando, o que aponta para a formação do fenômeno El Niño, que ainda não está formado. Do lado do atlântico essa água está mais quente do que o normal, quem navega sabe que a água na região Sudeste está superaquecida. Com isso, as frentes frias já chegam à São Paulo e Rio de Janeiro enfraquecidas, reduzindo assim o número de chuvas", lembrou Nascimento. O meteorologista espera que as águas continuem mais quentes do que o normal e que o El Niño se manifeste de forma mais fraca.

Ainda conforme a previsão, não devemos esperar que as poucas chuvas do outono deixem os reservatórios da região Sudeste em situação confortável. "Essa região está com os reservatórios hidrelétricos em torno de 22%. Com a previsão de chuvas na média ou abaixo do esperado nos próximos três meses, o racionamento já deveria ter sido adotado, fazendo com que as pessoas consumam menos", defendeu Nascimento.

Como na região Sul do país o outono ainda é caracterizado por fortes chuvas, a expectativa é que a geração de energia de lá seja suficiente para auxiliar o momento difícil vivido pelo restante do país. 

Outono e inverno de pouco frio

Juntamente com o baixo índice de chuvas, o outono também será marcado por altas temperaturas. "Ao que tudo indica o nosso próximo inverno não será tão frio como algumas pessoas gostam. Será bastante parecido com o de 2014, com poucos casos de frio extremo. Assim também será no outono, que terá a temperatura sempre acima do normal, apesar de mais baixas do que no verão", disse.

Em maio e junho a expectativa é que as precipitações reduzam ainda mais na região Sudeste, chegando a chover somente entre 1 e 25 mm por mês, o que indica que diversas cidades ficarão sem receber sequer uma gota de água. Ao mesmo tempo, a partir de maio as temperaturas passarão a ficar de normal a mais baixa. "Esperamos por várias frentes frias, pelo menos uma por semana em maio. Serão seis frentes frias em todo o país, sendo que três delas chegarão com maior intensidade a SP, RJ e o sul da Amazônia", lembrou o meteorologista.

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