Intransigência que só causa prejuízos a atleticanos e cruzeire

iG Minas Gerais |

O Mineirão tem capacidade para 64 mil pessoas, mas apenas 35.390 foram lá para assistir ao nosso maior clássico. E milhares de torcedores sonhando em ir ao jogo! O próximo Atlético x Cruzeiro, no Independência, terá menos gente ainda. O pior dessa intransigência dos comandantes dos dois clubes é que eles expõem seus pares, por mais brilhantes que sejam, a situações ridículas. Na semana passada, por exemplo, na inútil reunião de quarta-feira, para discutir detalhes da operação do jogo, Benecy Queiroz, pelo Cruzeiro, e o dr. Lásaro Cândido da Cunha, pelo Atlético, deram entrevistas inacreditavelmente infantis. Disse o dirigente azul: “Como não temos estádio próprio, é impossível realizar jogos com as duas torcidas presentes”. O outro lado Já o dr. Lásaro, afirmou que o Galo só requisitaria mil, dos 6.000 a que o clube teria direito, porque não daria tempo de vender todos. Ou seja: os dois lados com desculpas esfarrapadas para aprontar alguma maldade com o adversário no próximo jogo entre eles. É difícil acreditar, mas estamos vivendo isso em pleno século XXI no futebol mineiro. Nós, que já tivemos o Mineirão dividido meio a meio dezenas de vezes, com públicos em torno de 100 mil pessoas. Revoltante O Ministério Público pediu uma pena branda, e a Justiça concordou em amaciar para cima do elemento que jogou a bomba no campo durante o clássico, atingindo um profissional da imprensa. Tão revoltante quanto aos crimes cometidos por esses indivíduos é que eles não pagam pelo que fazem e continuam aprontando e zombando das vítimas, da polícia e da sociedade como um todo. Nem aí... No ano passado, o repórter Guto Rabelo fez ótima reportagem mostrando que os torcedores violentos, condenados a se apresentar à Justiça ou à polícia nos dias dos jogos dos seus times, dão uma banana para a punição que lhes é aplicada e não aparecem para cumprir a pena. Descumprem a determinação judicial e nada acontece. A reportagem foi lá conferir, e não havia ninguém. Deixa pra lá O dono da bomba merecia uma punição rigorosa. Já que isso não ocorreu, a vítima, por meio de uma entidade de classe, deveria entrar com uma representação contra ele, por lesão corporal, ou uma ação de indenização. Essas cenas se repetem nos estádios brasileiros porque ficamos na base do “deixa pra lá”. Silêncio Essa bomba de domingo levou a nocaute um colega nosso, o radialista Christian Mascary, de Divinópolis. As entidades de classe do setor deveriam agir para proteger os profissionais e garantir os seus direitos, mas em Minas é como se não existissem. Sindicatos dos Jornalistas e de Radialistas, mais a Associação Mineira de Cronistas Esportivos, deveriam se posicionar oficialmente.

FMF e o jogo Villa x Cruzeiro Em atenção ao que escrevi em meu blog (www.chicomaia.com.br), o presidente da FMF, Castellar Neto, a quem agradeço, enviou o seguinte e-mail: “Prezado Chico, em resposta a sua coluna, tenho a esclarecer o seguinte. A TV Globo firmou, há alguns anos, contrato com os clubes – assinado pelo Villa Nova –, por meio do qual estabeleceu que poderia se negar a transmitir qualquer partida, caso entendesse que não haveria condições técnicas. Com lastro nessa cláusula contratual, a TV Globo entrou em contato para dizer que não transmitiria o jogo em Nova Lima, no dia e horário previamente estabelecidos, o que não impedia, é claro, que o Villa Nova jogasse no Castor Cifuentes, sem a transmissão. O clube de Nova Lima, no entanto, avaliou financeiramente a questão e preferiu pela transmissão, fora de Nova Lima, em razão de seus patrocinadores e das placas que poderá comercializar. Foi uma decisão, portanto, do Villa Nova. Passou-se, então, a escolha do estádio, o que, evidentemente, passa por critérios técnicos, financeiros e jurídicos. Jogar em Belo Horizonte (o que sequer foi solicitado formalmente pelo Villa Nova) seria juridicamente impossível, e explico: haveria grave desequilíbrio na tabela, no cálculo das partidas realizadas “em casa” e como “visitante”, o que favoreceria uns, em detrimento de outros. Pense você, com a larga vivência que tem no mundo esportivo, se essa situação fosse admitida. O que ocorreria, na prática, seria o seguinte: os clubes da capital, com melhor situação financeira, negociariam com os clubes do interior – talvez até parte da renda – e fariam todos os – ou a maioria dos – jogos em Belo Horizonte, sem sequer viajarem para o interior. Seria justo? Questão similar, inclusive, foi avaliada pelo TJD, em 2013, ano em que Tombense e Villa Nova solicitaram a realização das partidas da semifinal em Belo Horizonte, o que foi aceito pela FMF, num primeiro momento, e cassado pelo tribunal em instante posterior. Essas foram as razões que justificaram a decisão, que se deu com a participação efetiva do presidente Aécio Prates, em reunião ocorrida na sede da FMF. Sigo a sua disposição, Castellar Guimarães Neto”.

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