Disparada do dólar vai tirar poder de compra do brasileiro

Valorização da moeda afeta toda a economia, não só quem vai viajar ou consome importados

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Com o trigo importado, preço do pão está sujeito à alta do dólar
FOTOS GUSTAVO ANDRADE / O TEMPO
Com o trigo importado, preço do pão está sujeito à alta do dólar

O real não para de perder força diante do dólar – como praticamente todas as moedas do mundo –, e a corda vai arrebentar do lado mais fraco: o do consumidor. O dólar alto vai pesar no bolso do brasileiro, mesmo daquele que não vai viajar para o exterior ou não tem o hábito de consumir produtos importados, segundo especialistas em finanças e economia. É que cerca de 40% dos custos de produção no Brasil têm relação com a moeda norte-americana, que não para de se valorizar. Nesta quarta, teve nova alta e fechou a R$ 3,132. “A atual cotação desestimula viagens internacionais, mas, ao mesmo tempo, torna o país mais atrativo para os estrangeiros. Porém também há impacto no preço dos produtos no Brasil, embora os repasses não sejam instantâneos”, observa o professor de macroeconomia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Pedro Raffy Vartanian.

O superintendente adjunto de inflação do Instituto Brasileiro de Economia (Ibre) da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Salomão Quadros, explica que o dólar costuma ter reflexo inflacionário, seja pelo aumento de custos (matérias-primas e componentes importados ou similares), seja pela aquisição direta de bens de consumo importados, que encarecem com o dólar mais elevado. “Até o momento, todavia, os efeitos têm sido modestos”, diz.

O professor de finanças do Ibmec Ricardo Couto frisa que os impactos da valorização do dólar frente ao real nem sempre são imediatos. Já que há estoques e os repasses podem ser graduais, alguns devem ser sentidos por volta de julho a agosto deste ano. “O fato é que o brasileiro vai perder poder de compra”, diz.

O economista da consultoria Tendências Silvio Campos Neto frisa que, com o dólar mais alto, eletroeletrônicos (em razão dos componentes importados) e produtos derivados do trigo (já que boa parte do insumo consumido no país vem de fora) vão ficar mais caros, além, é claro, dos produtos importados.

Abaixo, especialistas detalham suas análises sobre os impactos da forte valorização da moeda norte-americana frente ao na economia brasileira. Eles explicam que, fora a pressão inflacionária, o dólar mais caro para o brasileiro tem aspectos positivos e negativos. Para os exportadores, é favorável, mas o mesmo não acontece com quem trabalha com artigos importados.

Velocidade da alta surpreende Ainda no ano passado, especialistas já indicavam que o dólar comercial iria superar os R$ 3 neste ano. Mas a maioria não esperava a velocidade com que isso iria acontecer. Só neste ano, a moeda já valorizou cerca de 17%. A LCa Consultores divulgou relatório nesta quarta afirmando que a moeda já superou o que eles projetavam para o período, que era fechar março em R$ 3,094. Segundo a LCA, o que abre espaço para esses exageros é a deterioração do ambiente de negócios no Brasil. Mas a valorização do dólar é global: nesta quarta, apenas duas moedas não perderam força diante da norte-americana.

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