Cenário para 2016 não é animador para setor de energia

Especialista diz que a situação será de “perde-perde”

iG Minas Gerais | Juliana Gontijo |

Volume. 
Represa Serra Azul, em Juatuba, é uma das que abastecem a região metropolitana de BH
Uarlen Valério
Volume. Represa Serra Azul, em Juatuba, é uma das que abastecem a região metropolitana de BH

Mesmo que não haja racionamento em 2015, os problemas no setor elétrico no país não irão terminar neste ano, segundo o especialista do setor Mário Veiga Ferraz Pereira. “Há dois cenários para 2016. Um deles é a retração da demanda, assim os reservatórios se recuperam e o preço cai. Só que se a economia melhorar um pouco em 2015, entramos no próximo ano mais apertados, com o nível dos reservatórios mais baixos, logo, o preço acaba aumentando. São duas situações complicadas: situações “perde-perde”, observa.

De acordo com ele, para que o nível dos reservatórios encerre 2015 no limite, com 10% da capacidade, é preciso reduzir o consumo na comparação com o ano anterior, 6,5%. “O governo trabalha com redução de 5%. Na verdade, ele aposta no colapso da economia para que haja a redução da demanda. A queda no índice de confiança das famílias aliada ao susto com o valor da conta de luz está ajudando na redução do consumo. Já a indústria buscou se tornar o mais eficiente possível e, se reduzir a demanda, será pela pior razão possível: redução de consumo da população ou mesmo o encerramento das atividade”, disse Pereira, durante uma palestra nesta quarta à tarde na sede da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), em Belo Horizonte. O especialista – que é engenheiro eletricista e presidente da PSR, consultoria de energia com atuação em 65 país – observa que o racionamento tem um preço político, diferente do uso de propagandas que estimulam a redução pela população de forma espontânea. Pereira afirma que o problema energético vivido pelo país é fruto da falta de preparo. “É um problema estrutural, não é problema causado por São Pedro, que vem até se comportando bem nos últimos anos. Não foi problema físico, climatológico, mas gerencial das nossas reservas, político, o que é mais difícil de resolver”, complementa o presidente da consultoria PSR. Na carne. O presidente do Conselho de Política Econômica e Industrial da Fiemg, Lincoln Gonçalves Fernandes, afirma que sem o racionamento o problema só vai ser transferido para 2016. “Eu conto o racionamento como certo”, diz. Para ele, o empresário industrial tem que agir de forma preventiva e estratégica, levando em conta o racionamento. “Até mesmo porque a solução de não racionamento em 2015 transfere o problema para 2016. A situação ainda vai ficar crítica e ainda não há solução”, observa ele. Fernandes ressalta que, diante da eficiência buscada pelas indústrias, cortar mais energia torna-se uma tarefa complicada. “O jeito é cortar na carne, cortar produção, que pode levar muitas indústrias a fecharem no vermelho ou mesmo deixarem de existir como empresa. Vivemos hoje uma economia de guerra, o que terá impacto social, com a perda de empregos e perda de arrecadação. A situação é crítica”, observa.

MP Menor.  A Medida Provisória 579, de janeiro de 2013, conhecida popularmente como “MP do Setor Elétrico”, serviu para diminuir em 20% a conta de energia. Entretanto, os reajustes da Cemig em 2015 devem ultrapassar 50%.

Campanha para economizar energia começa hoje BRASÍLIA. A campanha “Uso Consciente de Energia – Use o bom senso”, preparada pelo governo federal, começará a ser veiculada hoje em TV, rádio e internet. O objetivo é estimular a população brasileira a economizar luz. Ela custou R$ 12 milhões e ficará no ar até o dia 31 de março. Criada pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em nenhum momento, entretanto, as palavras “crise” e “racionamento" estarão presentes nos spots dos respectivos veículos. Na semana passada, o Comitê de Monitoramento do Sistema Elétrico (CMSE) reduziu de 7,3% para 6,1% o risco de déficit de energia nas regiões Sudeste/Centro-Oeste em 2015. Para a região Nordeste, o risco de falta de eletricidade neste ano se manteve em 1,2%. E nesta quarta foram lançadas as diretrizes de um plano para atrair empresas consumidoras (shoppings, hotéis, etc) que possuem geradores próprios a produzir energia para o sistema nacional. Segundo a Aneel, há um potencial de 3,2 mil megawatts que poderiam entrar na rede já em abril.

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