Para brasileiro, execução é uma farsa, diz família

Gularte foi condenado à morte na Indonésia por tráfico de drogas em 2005

iG Minas Gerais | Da redaçãO |

Espera. 
O brasileiro Rodrigo Gularte está há dez anos no corredor da morte da Indonésia
Kathryn Bonella /BBC/REPRODUCAO
Espera. O brasileiro Rodrigo Gularte está há dez anos no corredor da morte da Indonésia

Há dez anos no corredor da morte da Indonésia, o paranaense Rodrigo Gularte, 42, parece ter perdido a conexão com a realidade. É o que revela reportagem da BBC Brasil, que conversou com parentes e pessoas que tiveram contato com o brasileiro recentemente. De acordo com a reportagem, ele acredita que sua condenação à morte por tráfico de drogas é parte de uma mentira.

Rodrigo Gularte foi condenado à morte em 2005, quando tentou entrar na Indonésia com 6kg de cocaína escondidos em pranchas de surfe. Com a aproximação da data para a execução, que pode acontecer nos próximos dias, o caso ganhou destaque nos jornais. Gularte, no entanto, desconfia das notícias que lê, enquanto passa os dias sozinho na prisão de Nusakambagan. De acordo com a família e com o padre irlandês Romo Carolus, que visita os presos do local e foi entrevistado pela BBC Brasil, o brasileiro passou a falar “com vozes de satélites”, que o alertariam que não é seguro deixar a prisão. Segundo Angelita Muxfeldt, prima de Gularte que está há quase dois meses na Indonésia tentando reverter sua situação, ele pensa que há franco-atiradores na ilha, e que ele seria morto se tentasse sair para se tratar em algum hospital. O brasileiro também se recusaria a tirar um boné, que acreditaria lhe proteger, diz a prima. A família afirma ainda que outros presos têm medo de dividir a cela com ele, e que Gularte teria emagrecido 15 kg. Recursos e exames. A última esperança da família é uma avaliação psiquiátrica ordenada pelas autoridades da Indonésia, para atestar o estado mental de Gularte. De acordo com as leis do país, não é permitida a execução de um preso que não esteja mentalmente são. A avaliação, cujo resultado ainda não foi divulgado, é a terceira realizada pelo brasileiro. Ele foi diagnosticado com esquizofrenia paranóide, com delírios e alucinações, em 2014. Mas o primeiro laudo não foi aceito pelas autoridades indonésias, já que havia sido encomendado pela defesa. Um segundo exame foi feito por um grupo diferente de especialistas, aceitos pelo governo, e o resultado confirmou o diagnóstico do primeiro laudo. As autoridades da Indonésia ordenaram então uma terceira avaliação. A mãe de Gularte, Clarisse, 70, afirmou à BBC Brasil que os problemas psiquiátricos do filho começaram a despontar aos 13 anos, após a separação dos pais. Aos 16, ele passou pelo primeiro tratamento para se livrar da dependência de drogas, que também viria a se tornar um problema recorrente na vida do brasileiro. Gularte chegou a ter um filho, que é autista e hoje está com 21 anos, mas com o qual pouco se relaciona. Prisão. O brasileiro fez a fatídica viagem para a Indonésia em julho de 2004. Quando foi pego com a droga, o Gularte estava com mais duas pessoas, que escaparam. De acordo com a família, ele assumiu sozinho a posse de toda a cocaína.

Execução Brasileiros. Em janeiro, apesar dos apelos do Palácio do Planalto, outro brasileiro, Marco Archer Cardoso Moreira, foi executado na Indonésia. Ele também havia sido condenado por tráfico.

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