O riso doído das pequenas injúrias da intolerância

iG Minas Gerais |

Comédia acompanha casal gay separado pelo próprio casamento
Pandora
Comédia acompanha casal gay separado pelo próprio casamento

Muitos ainda se perguntam por que gays querem ter o direito de se casar ou adotar como qualquer outro sujeito heterossexual. Essas pessoas não têm ideia da indignidade que é viver em uma sociedade sem os mesmos direitos básicos de qualquer cidadão. E em “O Amor É Estranho”, que estreia hoje, o diretor Ira Sachs mostra isso com uma das comédias billywilderianas que te fazem rir enquanto beliscam melancolicamente seu coração.

O filme acompanha o casal nova-iorquino Ben (John Lithgow) e George (Alfred Molina). Depois de décadas juntos, eles finalmente realizam o sonho de se casar após a legalização do direito no Estado. Mas a institucionalização de seu status e orientação sexual faz George perder o emprego como professor de música em um colégio católico. E sem poder pagar a hipoteca do apartamento, os dois são obrigados a morar de favor, separados, na casa de amigos.

George vai dormir no sofá da sala de um casal de amigos que dão festas todas as noites até altas horas. É Ben, contudo, que fica com a parte mais cruel da separação ao ir morar com a família do sobrinho Elliot (Darren Burrows).

Elliot diz que Ben é como um pai para ele, celebra o casamento do tio e diz que sua casa está de portas abertas. Até Ben começar a se tornar um incômodo e, especialmente, Elliot começa a suspeitar que seu filho possa ser gay. Daí, as máscaras que a maioria dos “tolerantes” usa começam a cair: “eu não tenho nada contra gays – desde que eles não incomodem, que eles não queiram os mesmos direitos que eu, que não sejam gays na minha casa, que meu filho não seja gay”.

É essa hipocrisia das pequenas ofensas diárias que “O Amor É Estranho” explora com seu humor sutil e cáustico. O filme mostra como, mesmo depois do direito de se casar, sempre vai haver um novo desafio, um novo motivo que lembre que gays não são vistos como todo mundo. E as performances delicadas e autênticas de Lithgow e Molina deixam bem claro os efeitos a longo prazo dessa humilhação de, aos 60 anos, ter que continuar pedindo licença para viver, para ser quem você é.

“O Amor É Estranho” não tem a mesma crueza e o impacto emocional de “Deixe as Luzes Acesas”, o excelente longa anterior de Sachs. Mas faz um estudo bem interessante da máxima de seu título. Essa ideia de que não se pode viver sem amor, mas ele é realmente algo estranho, especialmente quando as pessoas se sentem no direito de te julgar e classificar com base nele. (DO)

Outras estreias

Julianne Moore chega em dose dupla nas salas da capital neste fim de semana. A atriz também está em “O Sétimo Filho”, fantasia infantojuvenil que a reúne com Jeff Bridges, com quem ela não contracenava desde “O Grande Lebowski”.

E quem quer mais astros está muito bem servido. Em “Golpe Duplo”, Will Smith retorna às telas para dar um golpe em Rodrigo Santoro com a ajuda da beldade Margot Robbie (“O Lobo de Wall Street”).

E Johnny Depp continua a derrocada de sua carreira no massacrado “Mortdecai – A Arte da Trapaça”, um dos maiores fracassos do ano nos EUA. E para os cristãos, “Meu Nome É Paulo” leva a história de Paulo de Tarso para um futuro apocalíptico.

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