Exercício precoce pode atrapalhar desenvolvimento

Morte de rapaz de 15 anos levanta debate sobre riscos

iG Minas Gerais | Aline Diniz |


Na imagem, familiares de Luís Gustavo na porta da academia
LEO FONTES / O TEMPO
Na imagem, familiares de Luís Gustavo na porta da academia

O caso do adolescente Luís Gustavo Nogueira, 15, que morreu em uma academia do Prado, na região Oeste de Belo Horizonte, traz a discussão de quando e como um adolescente deve iniciar a musculação. Especialistas ouvidos pela reportagem asseguram que a sobrecarga de exercícios de força pode prejudicar o crescimento dos jovens. Além disso, a imaturidade para esperar os resultados pode motivar o exagero das atividades ou o uso de anabolizantes. Diante dos riscos, antes de começar a malhar, é preciso fazer uma avaliação médica ainda mais minuciosa que no caso dos adultos.

O presidente da Sociedade Mineira de Medicina do Exercício do Esporte, o cardiologista Marconi Gomes da Silva, explica que, geralmente, as meninas podem começar os exercícios de força entre 12 e 14 anos. Já para os meninos, essa idade varia entre 14 e 16 anos. Antes disso, há risco de que as placas de crescimento da cartilagem e do osso estejam imaturas. No entanto, a musculação não está proibida para esses adolescentes. “O exercício pode ser feito com pesos baixos ou com o peso do próprio corpo”, explica o médico. Entretanto, somente um médico pode determinar se o adolescente está pronto para iniciar sua vida na academia. “Em alguns casos, o menino não tem nem hormônio (testosterona) para ter hipertrofia (ganho muscular)”, exemplifica.

O exame, para o presidente, deve incluir um eletrocardiograma e o histórico de saúde da pessoa. “O eletrocardiograma pode dar uma pista no caso de uma cardiopatia (doença do coração)”.

Dependência. O médico do esporte Saulo Peconick Ventura chama a atenção para a vontade de algumas pessoas de obter resultados rápidos. Para isso, alunos acabam exagerando no treino ou usando substâncias como anabolizantes e energéticos. O médico explica que o resultado pode ser o inverso. “O excesso de treino pode causar fraturas e distúrbios metabólicos e de comportamento”, disse. As pessoas se esquecem do bem-estar e focam apenas a aparência. Ventura lembra que o treino deve ser realizado por grupo muscular, dando um dia de descanso para cada um deles.

Enterro. O corpo de Luís Gustavo foi enterrado nesta quarta. A Polícia Civil informou que vai esperar o resultado da necropsia para decidir se há crime a apurar.

No ano passado, 460 investigações foram abertas O Conselho Regional de Educação Física informou que cada academia é fiscalizada duas vezes ao ano. Em 2014, mais de 1.500 estabelecimentos em Minas foram checados. Em Belo Horizonte, foram 800 locais – 460 procedimentos administrativos foram abertos; o resultado não foi informado. A academia onde Luís Gustavo Nogueira morreu não tem registro no conselho nem alvará sanitário – há alvarás de localização e funcionamento até 2019. Nos próximos dias, o empreendimento será vistoriado pelo conselho e pela prefeitura. A academia informou que está regular e que a documentação será apresentada aos órgãos competentes. Alunos de academia são obrigados por lei a fazerem exame médico antes de iniciar as atividades, mas não são raros casos de descumprimento da regra. O médico do esporte Saulo Ventura lembra que morte de jovens durante a prática de exercícios é rara, mas acontece. A morte do adolescente, na opinião dele, deve estar ligada a uma doença cardíaca preexistente.

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