Não é hora de cogitar impeachment

iG Minas Gerais |

O jornal “O Estado de S.Paulo” de domingo último publicou editorial para condenar o processo de impeachment contra a presidente da República que pode ser desejado pela nação e lastrear-se em tentadora medida saneadora e de restauração da confiança nacional. Entretanto, a medida é inoportuna pela provável confusão que a hora atual e os procedimentos adotados iriam provocar, sobretudo porque, como afirma o título do texto publicado, “confusão é tudo o que Lula quer”; ao revés, tranquilidade é tudo o que os brasileiros precisam para amainar a crise política em que nos mergulharam e para debelar os descaminhos da desagregadora tempestade econômica em que nos meteram. É mais um período de expiação para o país, que tanto tem sofrido com os péssimos governos que têm saído das urnas ultimamente; mas não há alternativa senão a espera vigilante, até o governo cair pela própria incompetência. Nada de colaborar com a fogueira que Lula quer acender, já que não há instituições suficientemente fortes e sadias para enfrentar a violência dos exércitos de militantes petistas, lideranças sindicais, do MST e outros, que o próprio ex-presidente está a recrutar: “Quero paz e democracia, mas eles não querem. E nós sabemos brigar também, sobretudo quando o Stédile colocar o exército dele nas ruas,” incitou, com a habitual irresponsabilidade. No limite, tudo isso pode desembocar em insana guerra civil. O recado é claro e não deixa dúvidas a respeito da disposição de empregar violência. Na hipótese, é de especular a respeito da posição dos militares diante da Constituição para deter a aventura que atinge o próprio cerne do Estado de direito, envolvendo a existência da República, da Federação e do regime democrático. Se tudo pode acontecer, nada pode ser subestimado. Em primeiro lugar, há de se cuidar do vácuo deixado pelas Forças Armadas, aparentemente alheias a movimentos políticos deletérios. Retiradas do poder político, por meio de solução de compromisso, parecem assistir ao desenrolar desajuizado dos acontecimentos apenas na condição de mudas testemunhas históricas de fatos instigantes de ocorrências insurrecionais. Oficiais da reserva são apenas militares de pijamas; assim, é de indagar como reagiriam os da ativa, a quem a nação confiou o uso da força das armas. Defenderiam o regime constitucional como, na inspiração e origem, agiram em 1964, traídos mais tarde por militares ambiciosos, civis e políticos descomprometidos, ou, com os seus verdadeiros líderes, terão em mente promover, em breve e oportuno tempo, reformas institucionais mais ou menos semelhantes às que se fizeram na França, sob o comando do grande estadista e general De Gaulle, em 1958? A seguir, buscariam indispensável aprovação popular e a conquistariam para angariar a plena concordância dos titulares da soberania? Já não temos um bruxo como o notável jurista Chico Ciência, e isso é boa garantia contra atos institucionais. “Non passarán” (Dolores Ibárruri)! Entre nós, não passarão. Teremos, contudo, estadistas para entregar-lhes o poder?

Leia tudo sobre: Clique para inserir palavras chave