Museus ao redor do mundo proíbem uso do pau de selfie

Proibição já atinge locais nos Estados Unidos, Inglaterra, França, entre outros

iG Minas Gerais | William Grimes |

Segurança. 
Diretores dos museus alertam que o acessório para foto pode ser perigoso para as obras e para os próprios frequentadores
HIROKO MASUIKE
Segurança. Diretores dos museus alertam que o acessório para foto pode ser perigoso para as obras e para os próprios frequentadores

Nova York, EUA. Em um famoso teste de laboratório, um chimpanzé chamado Sultan usou duas varas e conseguiu pegar um prêmio incrível: um cacho de bananas pendurado fora do seu alcance. Quase um século mais tarde, turistas ávidos realizam sua própria versão do experimento. Equipado com o extensor de câmera conhecido como “pau de selfie”, ocasionalmente chamado de “varinha do narcisismo”, eles podem agora fazer lindos autorretratos por todos os cantos.

Os museus de arte observam essa tendência com certo nervosismo, temendo danos às obras ou a visitantes, pois os usuários brandem seus bastões com pouca cautela, mas agora resolveram tomar uma atitude drástica.

Um por um, os museus dos Estados Unidos estão proibindo o uso do acessório para fotografias dentro de galerias – um adendo às regras existentes com relação a guarda-chuvas, mochilas, tripés e monopés.

O Museu e Jardim de Esculturas Hirshhorn, em Washington, proibiu recentemente os bastões, e o Museu de Belas Artes de Houston pretende fazer o mesmo. Em Nova York, o Museu Metropolitan (Met), que vem estudando o problema há algum tempo, também decidiu que proibirá seu uso.

“De agora em diante, pediremos ao público calmamente que o guarde. Uma coisa é tirar foto usando o comprimento do braço, outra é uma distância três vezes maior que invade o espaço pessoal dos outros”, disse Sree Sreenivasan, diretor da área digital do Met.

Obras em risco. E esse “espaço pessoal dos outros” é apenas um dos problemas. As obras de arte são o outro.

“Não queremos ter que colocar toda obra atrás de um vidro”, disse Deborah Ziska, chefe de informação ao público da Galeria Nacional de Arte em Washington, que, discretamente, impõe a proibição de paus de selfie, mas que agora está em processo de formalizá-la aos visitantes nas orientações impressas.

Por último, mas não menos importante, há a ameaça ao operador da câmera, concentrado em tirar a foto perfeita e alheio ao resto do ambiente.

“Se as pessoas não estão prestando atenção ao Templo de Dendur, podem acabar caindo na água com a escultura de crocodilo. Há muitos lugares aqui de onde você pode cair e degraus onde pode tropeçar”, alerta Sreenivasan.

Tendência mundial

As proibições se espalham ao redor do mundo: Estados Unidos: MoMA e Guggenheim, em Nova York, do Museu de Belas Artes, em Boston, e o J. Paul Getty, em Los Angeles, dentre outros

França: Palácio de Versalhes e Pompidou, ambos em Paris

Inglaterra: Galeria Nacional de Londres

Holanda: Stedelijk Museum e o Hermitage Amsterdam, ambos na capital holandesa

Itália: Galleria degli Uffzi, em Florença

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