Revisão de dados aumenta PIB brasileiro em 2,1%

Na média de 2000 a 2011, a economia brasileira em valores foi aumentada em 2,1% em relação às informações divulgadas anteriormente

iG Minas Gerais | FOLHAPRESS |

O IBGE divulgou nesta quarta-feira (11) os dados definitivos do PIB de 2001 a 2011 e concluiu que a economia brasileira cresceu mais do que o estimado originalmente, após sua mais recente revisão metodológica. Em valor, o PIB somou R$ 4,375 trilhões em 2011. Na média de 2000 a 2011, a economia brasileira em valores foi aumentada em 2,1% em relação às informações divulgadas anteriormente.

Na média anual de 2000 a 2011, a economia brasileira avançou 3,7%, pouco acima dos 3,5% registrados antes. O resultado de 2009 foi alterado de um recuo de 0,3% para uma variação negativa de 0,2%. Em 2010, a expansão ficou em 7,6%, contra um avanço de 7,5% do indicador preliminar. Em 2011, foi apontado incremento de 3,9%, frente aos 2,7% considerados até agora. 

O ano de 2010 foi marcado pela forte recuperação do consumo e da indústria após o tombo provocado pela crise global iniciada no fim de 2008 e agravada no ano seguinte. A economia se expandiu baseada em boa medida por estímulos como corte de impostos, como o IPI para veículos, e aumento do crédito subsidiado.

Com a demanda aquecida, a inflação subiu com força em 2010 (ficou no exato limite do teto da meta, em 6,50%), o que obrigou o Banco Central a elevar os juros para até 12,5% (mesmo patamar atual) para segurar o consumo e os preços. O resultado foi um crescimento mais modesto.

Segundo Rebeca Palis, coordenadora de Contas Nacionais do IBGE, o dado de 2011 sofreu uma alteração mais forte porque não havia sofrido nenhuma revisão anterior e foi calculado apenas com os números preliminares do PIB trimestral, ao contrário dos anos anteriores.

Já as informações de 2012 e 2013, a serem conhecidas no final deste mês, já tinha passado por revisão para incorporar a nova pesquisa de indústria e a pesquisa de serviços.

Roberto Olinto, diretor de pesquisas do IBGE, disse que, em todos os países, a mudança se deu mais no nível do PIB, em valores, do que na variação em relação ao ano anterior. "Já tínhamos alertado que o PIB teria um patamar mais elevado e que o efeito seria positivo, assim como ocorreu em outros países."

O investimento foi o principal segmento a turbinar o PIB. Com a inclusão de mais itens considerados como investimento, (entre eles, pesquisa e desenvolvimento e prospecção mineral) a taxa de investimento (proporção dessa categoria em relação ao valor do PIB) mudou de patamar. Em 2011, passou de 19,3% do PIB na série original para 20,6% na revisada. O percentual de 2010 mudou de 16,5% para também 20,6% em 2010.

Economistas avaliam que é necessária uma taxa na faixa de 23% a 25% por vários anos para ampliar a capacidade produtiva do país e manter um crescimento sustentado do PIB na faixa de 3% a 3,5% ao ano.

Recessão afastada 

A Folha de S.Paulo revelou na terça-feira (10) que o governo havia sido informado que o resultado de 2011 seria revisto para cima e ficaria em 3,9%. Com isso, a expectativa é que 2014 não mais apresente uma ligeira queda no nível de atividade da economia do país, conforme esperado por analistas.

Segundo o IBGE, pesquisas estruturais (que são divulgadas com intervalo maior de tempo e não indicam a conjuntura recente) são enviadas ao Ministério do Planejamento com 48h de antecedência, conforme portaria de 2015 editada pela própria pasta, a qual o instituto é vinculado. Indagada se o documento exige sigilo de quem recebe os dados, Wasmália Bivar, disse que "não", mas que isso é "esperado".

Isso porque a revisão ampliou a base do PIB e o tamanho da economia brasileira, carregando um efeito estatístico de um base de comparação mais alta. Inicialmente, as previsões apontavam para um variação entre a estabilidade e um recuo de até 0,5% da economia no ano passado. O resultado será conhecido no final deste mês.

O instituto revisou os dados e informou com atraso o PIB definitivo desses dois anos por causa de atualização dos métodos de cálculos do PIB, indicador que mede toda a produção de bens e serviços do país.

Historicamente, o IBGE divulga entre fevereiro e março o PIB do ano anterior com base em informações coletadas e divulgadas trimestralmente. No terceiro trimestre de cada ano, havia uma revisão geral e saía o dado final do PIB de dois anos antes, com a ampliação da base de dados, alimentada por pesquisas anuais do instituto com informações mais detalhadas de vários setores (comércio, indústria, construção, serviços e outros).

Nova metodologia

Para ajustar sua metodologia às novas recomendações da ONU, o instituto deixou de apresentar os números anuais definitivos e informou apenas estimativas de cada ano, feitas com base no PIB trimestral.

Também foram recalculados a série histórica de 2000 a 2009. Os números finais de 2012 a 2014 serão divulgados no dia 27 deste mês, junto com o PIB do quarto trimestre e o resultado preliminar de 2014.

Desde 2010, o IBGE trabalha para incorporar novas recomendações metodológicas da ONU, de 2008, para a cálculo do PIB.

O motivo principal que explica uma economia com dimensões maiores do que anteriormente estimado é que gastos em pesquisa e desenvolvimento, prospecção e avaliação de recursos minerais (mesmo que não sejam encontradas, por exemplo, jazidas de minério ou petróleo) e aquisição de softwares passaram a ser tidos como investimento e foram contabilizados no PIB. Antes, esses itens eram encarados como despesas intermediárias (usadas na produção de bens e serviços) e descontadas do cálculo do PIB -que mede a produção "líquidas", o chamado valor adicionado por cada setor, considerando os custos de todo o processo produtivo.

PIB per capita 

Com a mudança do tamanho da economia brasileira e a manutenção das projeções de população, o PIB per capita também foi turbinado. A produção de bens e serviços de toda a economia por pessoa ficou em R$ 20.461 em 2011, após a revisão -o valor era de R$ 19.620. O crescimento frente a 2010 passou de 1,7% para 2,9%, no dado já revisado.

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