Tucano convida pivô de escândalo diplomático para comissão do Senado

Saboia aceitou o convite do tucano, que vai formalizar o pedido de cessão do embaixador ao ministério

iG Minas Gerais | Folhapress |

Diplomata Eduardo Saboia, ex-encarregado de Negócios do Brasil na Bolívia
Fábio Rodrigues Pozzebom/ABr
Diplomata Eduardo Saboia, ex-encarregado de Negócios do Brasil na Bolívia

Investigado por sindicância interna do Ministério de Relações Exteriores, o diplomata Eduardo Saboia foi convidado a integrar a área técnica da Comissão de Relações Exteriores do Senado. O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), eleito nesta semana presidente da comissão, convidou Saboia para ocupar um cargo técnico porque considera que o diplomata foi deixado na "geladeira" pelo Itamaraty.

Saboia aceitou o convite do tucano, que vai formalizar o pedido de cessão do embaixador ao ministério. É preciso que a pasta o libere para ele assumir a nova função.

"Ele é um excelente profissional, bem preparado. Vou tirá-lo da geladeira. Eu acho que estou até prestando um serviço para eles [Itamaraty]", disse Aloysio.

Ex-encarregado de negócios da embaixada do Brasil na Bolívia, Saboia foi o pivô da fuga do senador boliviano Roger Pinto Molina ao Brasil, em 2013. Um ano antes, o Brasil havia concedido asilo diplomático ao senador, mas o governo boliviano não deu o salvo-conduto para ele deixar o país.

Ainda assim, Saboia viajou com Pinto Molina em um carro da embaixada, cruzou a fronteira e permitiu sua chegada ao Brasil, onde vive até hoje à espera de concessão de refúgio político. O embaixador disse que Molina corria risco de vida ao ser mantido tanto tempo retido na Embaixada do Brasil na Bolívia.

Segundo Aloysio, Molina mora nas dependências de empregada do apartamento funcional do senador Sérgio Petecão (PSD-AC), que acolheu o ex-senador.

"A constituição do refúgio passa pelo Conare, do Ministério da Justiça, e até hoje não foi pautado", criticou Aloysio Nunes.

O episódio desencadeou uma crise diplomática com o país vizinho. Na época, o Itamaraty afastou Saboia de suas funções e instaurou sindicância para apurar a responsabilidade do embaixador no caso, que ainda não foi concluída oficialmente. Ao pedir seu indiciamento, a comissão acusa o embaixador de ter sido "desleal à instituição" e de ter "infringido os princípios de hierarquia e disciplina".

Para a comissão, não havia necessidade de o então encarregado de negócios transportar sem autorização o senador Roger Pinto para o Brasil, porque não havia emergência médica. Mas Saboia, em sua defesa, diz que o senador estava cada vez mais deprimido, condição confirmada por laudo médico, e que havia risco de suicídio.

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