Sem-terra impedem cobrança em pedágio no Paraná durante protesto

De acordo com os sem-terra, os protestos já ocorreram em 21 Estados e mobilizaram mais de 25 mil pessoas

iG Minas Gerais | Folhapress |

O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) ocupou na manhã desta quarta-feira (11) pelo menos quatro praças de pedágios no Paraná e fez manifestações em outro sete pontos de rodovias no Estado.

A ação tem a participação de outros movimentos sociais e faz parte da "Jornada Nacional Unitária de Lutas dos Trabalhadores do Campo e da Cidade", iniciadas na semana passada. O MST tem realizado manifestações por todo o país.

De acordo com os sem-terra, os protestos já ocorreram em 21 Estados e mobilizaram mais de 25 mil pessoas. Os atos vão de ocupações de empresas, terras, bancos e órgãos públicos a passeatas e fechamentos de estradas.

Em Cascavel (a 498 km de Curitiba), cerca de mil integrantes do movimento invadiram uma praça de pedágio na BR-277 por volta das 9h, liberando o acesso de veículos. Eles pretendem ficar no local até o final da tarde. A maior parte dos manifestantes é composta por mulheres.

A cada 15 minutos eles bloqueiam a praça; depois, liberam os veículos por mais 15 minutos. Ninguém paga a tarifa. Os manifestantes exigem apenas que os motoristas buzinem ao passar pelo local.

Outro ponto de bloqueio na BR-277 é na praça de pedágio em Nova Laranjeiras. Também há manifestações nos pedágios na BR-369, em Campo Mourão, e na BR-376 em Mauá da Serra. Além disso, o movimento realiza manifestações em rodovias nas cidades de Arapongas, Jataizinho, Francisco Beltrão, Ampére, Marmeleiro, Itapejara D'Oeste e Dois Vizinhos.

A Concessionária Ecocataratas, que administra a rodovia BR-277, informou que está monitorando as manifestações. A Viapar, responsável pela BR-369, disse que ainda estava fazendo os levantamentos da ocupação. Elas não informaram se pretendem entrar com pedido de liminar para desobstruir as rodovias.

APOIO

Em Cascavel, dois vereadores ligados a movimentos sociais acompanharam as manifestações. Paulo Porto (PCdoB) e Professor Paulino Pereira da Luz (PT) estiveram na praça de pedágio para apoiar os manifestantes.

Elaine Verlindes, uma das líderes do movimento, disse que as manifestações ocorrerão durante todo o dia. Representantes de movimentos sociais têm uma reunião em Brasília e eles pretendem deixar as rodovias só após o encontro acabar.

Segundo Verlindes, o governo relegou a segundo plano a política de reforma agrária. "Por parte do governo não está havendo um tratamento adequado para essa questão", afirmou.

Ela diz ainda que a pauta de reivindicações dos trabalhadores rurais é extensa. "Vai desde a desapropriação de terras para aquelas famílias que estão acampadas, além de crédito, habitação e a desburocratização para acessos às políticas públicas", afirma.

A Polícia Rodoviária Federal acompanha os protestos e orientou os manifestantes a reduzirem o tempo de fechamento para evitar filas quilométricas nas rodovias. "Enquanto eles permanecerem aqui nós ficaremos no local para garantir a segurança", disse Antonio Gradin, da PRF em Cascavel.

RIO E MINAS

Também houve interdição em estradas do Rio e de Minas. Um trecho da BR-356, entre Campos dos Goytacazes e São João da Barra, no Rio, ficou fechado por cerca de três horas, segundo os sem-terra. A rodovia Washington Luiz, em Duque de Caxias, também foi bloqueada.

Já em Minas, a Fernão Dias foi bloqueada nos dois sentidos (Belo Horizonte e São Paulo), na altura do km 658, na região de Santo Antônio do Amparo (MG).

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