1,7 milhão de adolescentes entre 15 e 17 anos estão fora da escola

Relatório "10 Desafios do Ensino Médio no Brasil", elaborado pela Unicef e pelo Observatório da Juventude da UFMG, foi divulgado nesta quarta-feira (11)

iG Minas Gerais | JOANA SUAREZ |

Alunos do programa têm bons resultados
Governo de Pernambuco/divulgação
Alunos do programa têm bons resultados

O Unicef e o Observatório da Juventude da UFMG apresentaram nesta quarta-feira (11) os principais desafios que o país precisa enfrentar para garantir a educação de adolescentes. O relatório "10 Desafios do Ensino Médio no Brasil" foi lançado durante o Seminário Nacional sobre Ensino Médio no Brasil. O documento mostra que 1,7 milhão de adolescentes entre 15 e 17 anos estão fora da escola em todo o país. Eles são, hoje, o grupo mais atingido pela exclusão.

Entre os que estão matriculados, 35,2% (em torno de 3,1 milhões) ainda frequentam o ensino fundamental. Além disso, 31,1% dos alunos que cursam o ensino médio (cerca de 2,6 milhões) encontram-se em situação de atraso escolar, de acordo com o Censo Escolar de 2012

Foi feita uma pesquisa inédita com 250 adolescentes para saber os motivos que o fizeram sair da escola. De acordo com a análise das respostas dos jovens e os indicadores sociais dessa faixa etária, se estabeleceu os dez desafios para melhorar o Ensino Médio.

Segundo Mario Volpi, coordenador do Programa Cidadania dos Adolescentes do Unicef no Brasil, se as condições atuais de inclusão dos adolescentes não avançarem, a universalização do Ensino Médio acontecerá somente em 30 anos. "Em síntese precisamos melhorar em quatro aspectos: na escola, com estruturas melhores, no reconhecimento dos professores e apoio para que ele se atualize, no conhecimento sobre o aluno, e na inclusão rápida de todos os alunos, esse é o maior desafio. O Brasil não pode abandonar os estudantes atrasados e os que saíram da escola. Não podemos esperar 30 anos"

Para Juarez Dayrell, professor da Faculdade de Educação da UFMG e coordenador do Observatório da Juventude da UFMG, a principal coisa a se melhorar é a relação educador/educando. "Ainda á uma relação muito crítica. Precisa avançar muito para que também a educação avance, porque esse é o coração do ensino. Isso é sempre reiterado nas pesquisas que nós viemos desenvolvendo há muitos anos. A formação continuada dos professores é fundamental para que eles tenham uma compreensão maior da realidade do aluno"

Além de problemas dentro das escolas, fatores externos, conforme mostrou a pesquisa, também influenciam na evasão escolar: "a escola não está preparada pra lidar com a adolescente grávida, a baixa renda das famílias também impactam no ensino, distância entre a casa e a escola é outro problema e a violência de fora que se reproduz dentro da sala de aula", explicou Volpi.

A pesquisa abordou 25 grupos focais e de 51 entrevistas em profundidade, nas cidades de Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), Belém (PA), Fortaleza (CE), São Paulo (SP) e Santana do Riacho (MG) entre outubro e dezembro de 2012 e entre maio e novembro de 2013. Agora, o Unicef vai ajudar os municípios, em parceria com o Ministério da Educação (MEC) para elaborar os planos municipais de educação.

O Seminário Nacional sobre Ensino Médio no Brasil: Sujeitos, Tempos, Espaços e Saberes vai ocorrer até esta sexta-feira (13) de março, no campus UFMG Pampulha. O evento reúne pesquisadores, gestores de políticas educacionais, adolescentes e jovens de todo o país. 

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