Homem que matou namorada no Dia da Mulher é apresentado pela polícia

A vítima de apenas 18 anos e mãe do filho de 3 anos do suspeito foi assassinada na porta de casa quando saía para ir a igreja

iG Minas Gerais | BERNARDO ALMEIDA/ JULIANA BAETA |

Segundo delegada, em nenhum momento suspeito se mostrou arrependido de matar a namorada
FERNANDA CARVALHO
Segundo delegada, em nenhum momento suspeito se mostrou arrependido de matar a namorada

O homem que matou a namorada com três tiros na frente da casa onde ela morava com o filho de apenas 3 anos, no último domingo (8), data em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, foi apresentado pela Polícia Civil na manhã desta quarta-feira (11). O crime aconteceu em Contagem, na região metropolitana de Belo Horizonte, e após ouvir os tiros, o filho do casal saiu de casa e perguntou a avó e mãe da vítima: “foi papai que matou mamãe?”.

No mesmo dia, a presidente Dilma Rousseff anunciava que iria sancionar a Lei do Feminícídio, tornando a violência contra a mulher crime hediondo, mas como o assassinato de Rigleia Rodrigues Lima, de 18 anos, aconteceu no domingo e a lei foi sancionada na segunda-feira (9), o suspeito de 22 anos, conhecido como "Grilo" e responsável pela morte da namorada ainda não será enquadrado no crime de feminicídio, mas sim, de homicídio qualificado, no qual as qualificações são, no mínimo, motivo fútil e recurso que impossibilitou a defesa da vítima.

Segundo a delegada Fabíola Oliveira, da 7ª Delegacia de Homicídios de Contagem, "Grilo" matou a namorada por ciúme. Ele confessou o assassinato e disse que o fez porque a mulher estava o traindo. As investigações com base em relatos de familiares do suspeito e da vítima confirmaram que o homem  tinha o hábito de controlar Rigleia. Ele a procurava constantemente perguntando onde ela estava indo e o que estava fazendo, e costumava ainda ameaçá-la e intimidá-la. Além disso, ele sempre achava que ela estava o traindo.

O relacionamento dos dois começou há seis anos, quando a vítima tinha apenas 12. Mas a relação era tumultuada e o o casal costumava romper e reatar com frequência. Eles chegaram a morar um tempo juntos, mas há cerca de seis meses, Rigleia havia voltado para a casa dos pais, em Nova Contagem, e "Grilo" para a casa dos pais também, em Esmeraldas. Os familiares da vítima chegaram a fazer várias denúncias contra ele, por ameaçar contra a jovem, já que ela mesmo nunca conseguiu fazer, por medo do companheiro e também por gostar dele.

O pai da vítima chegou a dizer que há cerca de 15 dias foi ameaçado pelo suspeito com uma arma de fogo apontada para a cabeça dele, mas conta que não levou a denúncia adiante porque vários amigos de "Grilo" estavam rondando a casa da família, e ele se sentiu ameaçado.

Rigleia, que ainda estava na escola, chegou a parar de frequentar as aulas por um tempo, porque o namorado a ameaçava dizendo que se ela fosse pra escola ele iria segurar o rosto dela e cortar o seu cabelo. O aniversário de 3 anos do filho do casal é no final deste mês.

O crime

No sábado (7) que antecedeu o dia do crime, Rigleia e "Grilo" passaram o dia juntos e durante a noite, cada um voltou para sua respectiva casa. No entanto, de madrugada, ele disse a mãe que ia na casa de Rigleia para acertar as contas com ela porque não aguentava mais a “traição”. A mulher disse para ele não fazer isso porque provavelmente a jovem estaria dormindo.

Ele ligou duas vezes para a vítima de madrugada de domingo, e também por volta de 6h, quando Rigleia atendeu e disse que estava indo para a igreja. Ela chegou a convidar o namorado para ir junto. Quando estava saindo de casa, a vítima se surpreendeu com o namorado na porta da casa dela, e a mãe de Rigleia ficou acompanhando a conversa do lado de dentro da casa. Ela conta que eles devem ter conversado por cerca de três minutos antes de escutar os tiros.

Ela ouviu a filha gritando “mãe”, e quando saiu de casa viu o suspeito atirando na nuca da menina. Além deste tiro, ela também foi baleada com um tiro em cada coxa. Logo atrás da mãe da vítima, saiu o filho do suspeito e de Rigleia. Ao ver a mãe ensanguentada no chão, ele perguntou: “foi papai que matou mamãe?”.

Desde então a Polícia Militar passou a fazer buscas na região para encontrar o suspeito, mas ele não foi encontrado até essa terça-feira (10), quando decidiu se entregar.

A prisão

Foi a família do suspeito que ligou pra polícia nessa terça informando que ele iria se entregar, porque estaria recebendo ameaças da família da vítima. A delegada Fabíola Oliveira conta que durante o interrogatório, providenciou a prisão preventiva dele, para que não tivesse chance de escapar. “A gente sabia que ele não ia ser detido em flagrante delito, pro isso procuramos o juiz para conseguir o mandado de prisão, que foi expedido quando o suspeito estava sendo interrogado pelos investigadores”, conta.

Ainda segundo a policial, ele não demonstrou nenhum arrependimento pelo crime. “O tempo todo ele ria, o tom do interrogatório foi até jocoso, porque ele tinha a convicção de que não iria ficar preso, já que a prisão não foi em flagrante. Ele achou que ia prestar depoimento e ia ser liberado, e se isso acontecesse, dificilmente ele ia ia ser encontrado, porque onde mora, em Esmeraldas, tem muita área de vegetação onde ele poderia se esconder”, conta.

Por homicídio e suas qualificações o suspeito deve pegar de 12 a 30 anos de prisão.

A delegada ressalta a importância de se levar denúncias sobre violência contra mulher - inclusive, de ameaças - adiante. “A família se sentiu ameaçada e por isso não levou adiante as denúncias, mas quanto mais informações nós tivermos e quanto maior o prosseguimento dado a denúncia, maiores serão as chances de evitar que crimes como este ocorram”, diz.