Polícia torturou suspeitos da morte de opositor a Putin, diz ativista

"Há provas razoáveis para dar a entender que os dois foram torturados", disse Andrei Babushkin ao se referir aos dois tchetchenos presos

iG Minas Gerais | Folhapress |

O ativista russo Andrei Babushkin é membro do conselho do Kremlin de Direitos Humanos
NAIRA DAVLASHYAN / AFPTV / AFP
O ativista russo Andrei Babushkin é membro do conselho do Kremlin de Direitos Humanos

O ativista russo Andrei Babushkin, membro do Conselho Civil de Direitos Humanos da Rússia, afirmou nesta quarta-feira (11) que foram encontrados sinais de tortura no corpo dos três acusados de envolvimento na morte de Boris Nemtsov.

Após fazer a acusação, a Justiça russa anunciou que investigará Babushkin e sua colega Eva Merkacheva para esclarecer os motivos de seu "minucioso interesse" pelo caso do assassinato do opositor ao presidente Vladimir Putin.

Os dois defensores dos direitos humanos visitaram os tchetchenos Zaur Dadaev, Anzor Gubashev e Shaguit Gubashev na prisão de Lefortovo, em Moscou, para onde foram levados pela polícia no último fim de semana.

Segundo Babushkin, Dadaev tem vários ferimentos no corpo, enquanto Anzor Gubashev sofreu arranhões no nariz, nos punhos e nas pernas após ser detido. "Há provas razoáveis para dar a entender que os dois foram torturados", disse o ativista.

O ativista afirma ainda que Dadaev disse ter sido capturado por policiais na quinta (5) na república da Inguchétia, vizinha à Tchetchênia, com um amigo, Rustam Yusupov, que continua desaparecido desde então.

Diante da denúncia, a Justiça russa disse que interrogará os ativistas para que eles esclareçam seu interesse no assassinato de Nemtsov. O Comitê de Instrução russo afirma que eles violaram a lei ao divulgar detalhes da visita à imprensa.

Mentor

Considerado o mentor do crime pela Justiça russa, Zaur Dadaev é ex-vice-comandante do Batalhão Norte da Tchetchênia, uma das principais forças da república da região do Cáucaso. Devido a seu trabalho, foi condecorado pelo governo russo.

Na versão dos magistrados, Dadaev teria confessado o crime e disse que foi motivado pelas críticas de Nemtsov ao islamismo e sua defesa da publicação das caricaturas do profeta Maomé pelo jornal satírico francês "Charlie Hebdo".

Em entrevista ao jornal russo "Moskovski Komsomolets", o tchetcheno disse que a confissão foi arrancada pelos policiais com surras e ameaças, após dois dias com algemas nas mãos, algemas nos pés e um saco plástico na cabeça.

"Achava que ao chegar a Moscou poderia contar toda a verdade ao juiz, dizer-lhe que não sou culpado, mas a juíza nem sequer me deixou falar", disse Dadaev, que criticou os magistrados por terem solicitado sua prisão.

"Lutei durante 11 anos contra os criminosos, defendendo os interesses da Rússia. Onde devo colocar as medalhas com as quais me condecoraram por meu serviço?".

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